Dez mulheres mutiladas por minas vão desfilar, esta quarta-feira, em Luanda, no primeiro concurso "Miss Sobrevivente das Minas”, para concorrerem a uma prótese feita à medida e chamar a atenção para um dos maiores flagelos do país.
Dez mulheres mutiladas por engenhos explosivos, retratos vivos da guerra, vão desfilar, esta quarta-feira, no Hotel Trópico, um dos mais conhecidos da capital angolana, para o primeiro concurso "Miss Sobrevivente das Minas”.
Ao exporem a sua beleza, mas também os seus membros amputados, as concorrentes pretendem vencer a discriminação e chamar à atenção para os milhares de vítimas deste flagelo.
A maioria das concorrentes trabalhava a terra quando um dia a explosão de uma mina lhes arrancou uma perna, estando agora quase todas no desempregado.
O autor do projecto, o artista norueguês Morten Traavik, revelou à TSF que neste concurso as mulheres vão ter a oportunidade de, pela primeira vez, «serem olhadas», «poderem elevar a sua voz» e reintegrar-se.
Morten Traavik lançou a ideia por acreditar que todos têm direito à beleza, sendo que o slogan da iniciativa é «todo o mundo tem direito a ser bonito».
A vencedora do concurso irá ganhar uma prótese, feita à medida, porque, adiantou o artista norueguês, um dos grandes problemas de Angola é que «não existem próteses para todos».
O concurso é apoiado pelo governo angolano, através da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária, cuja coordenadora, Madalena Neto, contou à TSF que as minas continuam a fazer vitimas todos os anos, sendo que, só nos dois últimos anos, atingiram «mais de 300 pessoas».
Em Angola, país em que a guerra terminou formalmente em Abril de 2002, calcula-se de dez por cento do território esteja ainda minado, pondo em risco cerca de dois milhões de pessoas.