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APIFARMA contra venda em unidose

A APIFARMA está contra a venda de medicamentos em unidose defendida pelo CDS-PP e que vai ser discutida esta quarta-feira no Parlamento. Os centristas consideram que esta medida seria muito positiva para o Estado, mas também para o consumidor.

 

 

O presidente da APIFARMA está contra a proposta do CDS-PP relativa à venda de medicamentos em unidose, que será discutida esta quarta-feira no Parlamento e que vai ser chumbada pela maioria socialista.

Almeida Lopes considera «irreflectida» e «desajustada no tempo» a proposta dos centristas, tendo o líder da APIFARMA recordado que o modelo apenas é aplicado no Reino Unido.

«Neste momento, a unidose não existe país nenhum na Europa, à excepção do Reino Unido, onde pensa-se que virá a ser progressivamente abandonada», explicou o líder da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica.

Almeida Lopes adiantou ainda que a maior parte do mercado dos medicamentos refere-se a situações em que o paciente tem de tomar fármacos para o resto da vida, o que, na opinião deste responsável, torna indiferente a utilização da unidose.

O líder da APIFARMA também não consegue entender como foi possível o CDS-PP chegar à conclusão que a utilização da unidose fará com que o Estado poupa cem milhões de euros ao ano.

«Não sei se as contas estão erradas. Não conseguimos descortinar como é possível avançar uma conclusão tão espectacular», afirmou Almeida Lopes, que discorda do facto de haver desperdício de medicamentos.

Almeida Lopes entende que o problema do desperdício não se põe no caso das doenças crónicas e que mesmo para o caso das doenças de curta duração, uma vez que o tamanho das embalagens não é desajustado.

Citada pela agência Lusa, a APIFARMA entende ainda que a unidose «poderia acarretar um perigo para a saúde pública», já que não estão acauteladas as «condições exigíveis de qualidade e segurança».

Por seu lado, a deputada Teresa Caeiro entende que a unidose seria não só boa para o Estado, pois este apenas «comparticiparia os medicamentos que são consumidos e necessários», mas também para o consumidor.

«Poupamos nós, porque a esmagadora maioria dos medicamentos não tem uma comparticipação total e também nós não vamos estar a comprar caixas com medicamentos de que não vamos precisar», acrescentou.

Por estas razões, a parlamentar não compreende como ainda não se avançou com esta medida que insistiu permitir ao Estado poupar cem milhões de euros por ano e que não é penalizadora para os consumidores.

PSD, PCP e Bloco de Esquerda concordam com o projecto de resolução dos centristas, contudo o Governo só se compromete a aplicar o modelo nas farmácias hospitalares de venda ao público.



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