O ministro do Ambiente, Nunes Correia, considera não existirem motivos para que alguma das 10 barragens que o Governo quer construir seja abandonada. Manuela Cunha, d'"Os Verdes", diz que reprovável estão projectadas as barragens do Tua, Almourol e Fridão.
O ministro do Ambiente não vê motivos para que se abandone qualquer uma das dez barragens que o Governo quer construir, uma vez que para se chegar a este número já houve necessidade de prescindir de outras.
«Estas dez foram escolhidas, mas houve 14 ou 15 que foram excluídas por suscitarem problemas muito complexos e considerados praticamente insuperáveis», explicou Nunes Correia que sublinhou a forma «muito criteriosa» como estas foram escolhidas.
Por esta razão, o titular da pasta do Ambiente considerou ainda que a probabilidade de alguma destas dez barragens ser abandonada «é muito baixa ou praticamente nula».
Em declarações à TSF, Nunes Correia justificou ainda a necessidade da construção de dez barragens, uma vez que Portugal «é um dos países com maior dependência energética relativamente a fontes externas de energia».
O ministro considerou «sério e grave» o facto de Portugal depender em 80 por cento destas fontes de energia e que são uma «contribuição pesadíssima para as emissões de CO2 que o país emite».
O titular da pasta do Ambiente recordou ainda que Portugal é um dos países que menos faz pelo desenvolvimento da energia hídrica, onde apenas está desenvolvido 50 por cento do potencial do país.
«A hídrica é um complemento em si mesmo, mas é trambém uma forma de potenciar a eólica. Uma boa articulação entre a hídrica e a eólica pode chegar a duplicar o valor da eólica», acrescentou.
Nunes Correia adiantou ainda que Portugal pretende chegar a 2020 com sete mil megawatts de potencia instalada contra os actuais menos de cinco mil.
Manuela Cunha, do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), criticou a construção de algumas destas barragens a começar pela que o Governo projectou no Tua, que será construída numa «zona classificada como Património da Humanidade».
A dirigente deste partido lembrou que esta barragem será construída numa zona conhecida como o Alto Vinhateiro e que também envolverá a submersão de parte da Linha do Tua, o que «vai fechar uma porta de entrada para Trás-os-Montes».
A construção da barragem do Fridão também é vista com maus olhos por Manuela Cunha, uma vez que esta teria «impactos gravíssimos» para a região do Tâmega, que já tem quatro projectos do género nas suas proximidades.
«Não só em termos sociais por que ficam imensas aldeias afectadas, mas também para a própria cidade de Amarante», adiantou Manuela Cunha, que também não está de acordo com a construção da Barragem de Almourol.
O PEV já agendou para 13 de Fevereiro um debate sobre o Plano Nacional de Barragens.