Ferro Rodrigues aconselhou o actual Governo socialista a ter «menos arrogância e mais humildade» ao pedir sacrifícios aos portugueses. Em entrevista à revista Visão, o ex-secretário-geral do PS disse ainda não compreender como ainda foram apuradas as razões pelas quais foi caluniado no caso Casa Pia.
Ferro Rodrigues entende que o actual Governo socialista deve ter «menos arrogância e mais humildade» ao pedir sacrifícios aos portugueses, em particular a uma «parte importante da classe média e a uma determinada geração, que tem entre 45 e 65 anos».
Em entrevista à revista Visão, que será publicada na quinta-feira, o ex-secretário-geral socialista explicou ainda que lhe faz «confusão que, para algumas pessoas, dizer bem deste primeiro-ministro seja dizer mal de Guterres».
O ex-ministro do Trabalho lamentou ainda que «até hoje, a Justiça não tenha apurado as razões e as motivações» dos indivíduos que o caluniaram na fase de inquérito do processo Casa Pia.
«Espero que os que me causaram tão graves danos expliquem porque mentiram e foram elementos activos numa tentativa, mais do que de assassínio político, de assassínio de carácter e cívico», acrescentou.
Ferro Rodrigues assegurou ainda que irá «até ao recurso final» neste caso e que voltaria o então Procurador-geral da República, Souto de Moura, e o então Presidente da República, Jorge Sampaio, sobre as «denúncia caluniosas» contra si e outros membros da direcção socialista.
«Não fiz pressão para evitar isto e fazer aquilo. Tentei alertar para o perigo de haver prisões ilegais, como houve, e para um ataque terrível a uma direcção partidária, como aconteceu», explicou o líder do PS, numa alusão à detenção de Paulo Pedroso.
Ainda sobre este caso, Ferro Rodrigues sublinhou que nunca usou a palavra «cabala» e que se houver vontade em investigar poder-se-á saber, mas talvez tarde demais, a identidade das «pessoas que prestaram declarações falsas e caluniosas».
Na entrevista que concedeu, o antigo secretário-geral socialista conformou que estaria preparado para um triunfo eleitoral em 2004, caso Jorge Sampaio não tivesse decidido empossar Santana Lopes como primeiro-ministro quando Durão Barroso saiu do Governo para presidente da Comissão Europeia.
Ferro Rodrigues explicou também que decidiu não ser candidato à presidência da câmara de Lisboa, pois «tendo-me demitido da liderança do PS, faria pouco sentido candidatar-me, a não ser que fosse apoiado, unanimemente, no partido».
O agora embaixador de Portugal na OCDE excluiu ainda o regresso a curto prazo à vida política «com o actual sistema» por discordar «de algumas formas como o poder político, judicial e mediático se relacionam».