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Polícia chinesa apareceu de repente, diz turista portuguesa

 
Uma turista portuguesa que estava no Tibete na altura em que a polícia chinesa carregou sobre monges tibetanos há cerca de uma semana. Ouvida pela TSF, Clara Piçarra lembrou que a polícia chinesa apareceu de repente e que não há provas fotográficas destes acontecimentos.

 

 

Uma turista portuguesa que se encontrava no Tibete na altura em que a polícia chinesa carregou sobre monges tibetanos nos arredores de Lassa contou à TSF que tudo começou muito depressa.

Clara Piçarra, que estava acompanhada por Miguel Sacramento, também português, explicou que pouco antes da carga policial um monge lhe tentou passar uma mensagem num papel.

«Ele escreveu uma frase e sempre que passávamos por alguém ele escondia um papel e afastava-se de nós. Nunca percebemos o que ele estaria a escrever, porque ele não nos conseguia explicar», acrescentou.

A turista adiantou ainda que o monge acabou por riscar o papel em que tinha escrito essa mensagem à passagem de uma mota, numa altura em que já se concentravam cerca de meia centena de monges que estavam apenas acompanhados por estes portugueses.

Quando se aproximaram do final da rua, os monges começaram a ser rodeados por militares e polícias chineses, que chegaram em camiões e carros e que formaram imediatamente um cordão policial.

«Viram que estávamos no meio dos monges. Era muito fácil verem-nos, porque éramos os únicos vestidos de outra maneiros e os únicos ocidentais. Mas não sabíamos o que estava a acontecer. Fomos completamente apanhados desprevenidos», adiantou.

Clara Piçarra e Miguel Sacramento foram retirados do meio dos monges pelas autoridades chinesas e colocados no outro lado da estrada, tendo insistentemente perguntado o que se estava a passar.

Depois, começaram a chegar jipes com cinco homens cada um, todos sem farda, que em «cinco minutos» fecharam as lojas das redondezas e tiram as pessoas de dentro de casa.

«Limparam completamente o local de testemunhas. Fomos todos obrigados a continuar a andar e a descer a rua. Não houve a mínima hipótese de voltar atrás», continuou.

A turista portuguesa contou ainda que nesse momento sempre que tentavam levantar a máquina fotográfica para tirar fotografias foram sempre impedidos de o fazer.

«Não respondiam a nada que perguntássemos. Era como não nos perguntassem nada. Tudo isto foi rápido, em cerca de dez minutos», lembrou.

Clara Piçarra explicou ta,mbém que não há provas denada daquilo que aconteceu, uma vez que as poucas fotografias que conseguiu tirar foram apreendidas pelas autoridades.

«Eles não deixaram que ninguém assistisse. Vimos algumas imagens que acho não são públicas. Não temos essas imagens e não vamos tê-las», acrescentou a turista, que diz já ter visto fotografias sobre o que se passou no mosteiro, mas já quando se encontravam no Nepal.

A turista portuguesa esclareceu ainda que nunca temeu pela sua vida apesar do clima de intimidação no Tibete, que se reflectiu por exemplo no impedimento em sair do hotel e no «controlo sistemático» feito pela polícia.

Clara Piçarra lembrou ainda o sentimento de impotência por não ter podido fazer nada a favor dos monges e contra a agressividade das autoridades chinesas.



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