Um grupo de intelectuais e dissidentes chineses defendeu o diálogo entre Pequim e o Dalai Lama. Entretanto, o vice-campeão mundial do salto com vara sugeriu o uso pelos atletas de uma braçadeira verde durante os Jogos Olímpicos de Pequim.
Um grupo de intelectuais e dissidentes chineses apelou, este sábado, ao governo de Pequim para que encete o diálogo com o líder do governo tibetano no exílio e para que autorize a entrada de inspectores da ONU no Tibete.
Numa carta aberta ao governo chinês, 30 personalidades chinesas, entre escritores, professores universitários e militantes dos Direitos Humanos, exortaram o Partido Comunista Chinês a mudar de atitude neste respeito.
«Pensamos que é preciso eliminar as animosidades e começar uma reconciliação nacional. Apelamos por isso aos dirigentes do país a terem um diálogo directo com o Dalai Lama», acrescenta a missiva.
A hipótese de conversações com o Dalai Lama tinha já sido defendida pelos Estados Unidos, o Japão e vários países europeus, mas rejeitada pela China que entende que deve pôr à partida de lado todas as pretensões para uma independência do Tibete.
Por outro lado, as autoridades chinesas já acusaram o Dalai Lama de estar na origem dos confrontos no Tibete na última semana com o objectivo de sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, que se realizarão entre 8 e 24 de Agosto.
Entretanto, o presidente da Associação de Atletas Franceses defendeu que os atletas deveriam utilizar braçadeiras verdes durante os Jogos com o objectivo de chamar à atenção para a questão dos direitos humanos na China.
Romain Mesnil afirmou que esta braçadeira verde poderia ser usada como a «cor da esperança», mostraria o «respeito pelos direitos humanos, sem conotações políticas».
O vice-campeão mundial do salto com vara disse que assim se respeitaria os princípios da Carta Olímpica, apesar desta proibir qualquer tipo de acção de propaganda política, religiosa ou racial.