O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foi enforcado na madrugada deste sábado. Enquanto o Irão festeja a execução, a Líbia decretou luto nacional. Pelo Ocidente, a solução de pena de morte é criticada e o Vaticano diz mesmo que só vem agravar a violência no Iraque.
O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foi executado, por enforcamento, pelas três horas da madrugada (hora de Lisboa) deste sábado, em Bagdad, devido ao massacre de 148 aldeões xiitas de Doujaïl, em 1982.
Segundo o juiz que assistiu à execução, nas suas últimas palavras, Saddam Hussein, apelou aos iraquianos para se manterem unidos e aconselhou-os a não confiar na coligação que governa o país, porque «são gente perigosa».
O cadáver do ex-presidente iraquiano será entregue à sua família, afirmou o Conselheiro para a Segurança Nacional do Iraque, Muafaq al Rubaí, depois de a filha mais velha do ex-ditador, que vive na Jordânia desde 2003, ter pedido que o seu pai seja enterrado na capital do Iémen, Sana.
Saddam Hussein, que dirigiu o Iraque num regime ditatorial desde 1979 até Abril de 2003, foi condenado à pena de morte, a 5 de Novembro, pelo massacre de 148 aldeões xiitas de Doujaïl, a norte de Bagdad, assassinados em represália após um atentado falhado contra a coluna presidencial em 1982.
Logo após ser conhecida a notícia da morte, várias reacções surgiram por todo o mundo, entre muitas reprovações e alguns aplausos.
George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, disse, em comunicado, que esta execução é «uma etapa importante no caminho do Iraque para uma democracia que pode ser governada, ser auto-suficiente e defender-se», embora ressalve que este acto «não vai acabar com a violência no Iraque».
Também o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, se congratulou com a «execução do criminoso Saddam» e acrescentou que «foi feita justiça em nome do povo iraquiano».
A presidência da União Europeia, a cargo da Finlândia, também condenou a execução, reafirmando a oposição dos 25 à pena capital. Para os Estados-membros esta sentença nunca deveria ter sido aplicada e pode vir a ter consequências graves no futuro do Iraque.
Em Londres, o governo de Tony Blair mostrou a sua satisfação por Saddam Hussein ter finalmente pago por alguns dos seus crimes, embora tenha reafirmado a sua oposição ao enforcamento. Apesar de também condenar a pena de morte como solução, o governo francês afirmou que «a decisão pertence ao povo e às autoridades soberanas do Iraque».
Já os representantes do Vaticano e do parlamento russo foram mais críticos quanto à decisão do tribunal iraquiano e alertaram que esta execução apenas vai agravar a violência no Iraque.
Segundo palavras do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, a execução de Saddam «não é uma forma de reconstruir a justiça» no Iraque, mas sim de «alimentar o espírito de vingança e semear novas sementes de violência».
A Líbia decretou três dias de luto nacional pela morte do «prisioneiro de guerra Saddam Hussein». Já no Irão, a morte do ex-ditador iraquiano foi festejada, com o ministro dos Negócios Estrangeiros local, Hamid Reza Assefi, a afirmar que tal significou uma «vitória para os iraquianos».