Os membros do Conselho de Segurança da ONU não chegaram a acordo sobre uma declaração que pretendia condenar a acção de Israel que provocou a morte de quatro observadores da ONU no Líbano. Entretanto, Israel quer ter autorização para continuar as suas acções no sul do Líbano.
Terminou sem acordo a tentativa de elaborar uma declaração a condenar o ataque israelita a um posto de observação da ONU no sul do Líbano, que provocou quatro mortos.
O Conselho de Segurança da ONU disse não ter conseguido chegar a acordo, pois não houve consenso relativamente a se o incidente se tratou de um «ataque» ou de um «ataque deliberado» feito por forças israelitas ao posto de observação de Khiam.
Contudo, segundo diplomatas, na base do desacordo esteve a posição dos EUA, que se opôs a qualquer formulação mais firme de «ataque deliberado contra pessoal da ONU» e portanto a uma condenação de Israel.
Por seu turno, a China, que perdeu um seu cidadão neste ataque e que estava na origem deste texto, pretendia uma condenação firme a Israel, tendo o embaixador chinês nas Nações Unidas frisado ser necessário que o Conselho mostrasse preocupação pelo seu pessoal, apesar de reconhecer a importância de manter os membros do Conselho unidos.
«Penso que todos os membros vão reflectir em que lições, se é que há alguma, podem ser aprendidas deste episódio», acrescentou Wang Guasgya.
O Conselho de Segurança volta a reunir, esta quinta-feira, para discutir esta questão, tentando chegar a um acordo, adiantou, por seu lado, o embaixador francês na ONU, Jean-Marc de la Sablière, que preside este mês a este órgão.
Entretanto, o ministro israelita da Justiça entende que o falhanço da conferência de Roma, realizada na quarta-feira, dá a Israel autorização para continuar as suas acções no sul do Líbano.
«Recebemos em Roma uma autorização, de facto, do mundo - parte dele a ranger os dentes e outra parte a dar a sua benção - para continuar a operação, esta guerra, até que a presença do Hezbollah seja eliminada», afirmou Haim Ramon à radio militar israelita.
Para este dirigente israelita, considerado um homem muito próximo do primeiro-ministro Ehud Olmert, «todo o mundo sabe que uma vitória do Hezbollah constituiria uma vitória do terrorismo mundial».
«Isto seria uma catástrofe para o mundo e para Israel», concluiu o titular da pasta da Justiça.