José Ramos Horta confirma que Mari Alkatiri aceitou demitir-se do cargo de primeiro-ministro de Timor-Leste e admite regressar à FRETILIN, para que o partido «reconquiste a moral». O ministro timorense dos Negócios Estrangeiros diz ainda que o partido vai propor um novo primeiro-ministro.
A informação foi dada pelo chefe da diplomacia de Timor-Leste durante um encontro hoje com o corpo diplomático acreditado em Díli, de acordo com um documento distribuído pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense a que Lusa teve acesso.
«O PM Mari Alkatiri decidiu resignar», lê-se no "briefing" (escrito em inglês) do ministro de Estado J.Ramos-Horta ao corpo diplomático e a organizações internacionais sobre a actual situação no país.
«A decisão foi comunicada ao PR Xanana pelo presidente do Parlamento Nacional, Lu'Olo. A resignação formal será submetida ao CCF [Comité Central da FRETILIN] amanhã [sábado]. Uma comunicação formal será então feita ao país, se a resignação for aceite pelo CCF», lê-se no primeiro ponto da nota.
No mesmo documento é referido que José Ramos-Horta, um dos fundadores da FRETILIN, mas que abandonou o partido mais tarde, se declara preparado para regressar à principal força partidária timorense.
«Com a mesma motivação com que aceitou a pasta de Ministro da Defesa, JRH considerará um regresso à FRETILIN se isso significar ajudar o partido a reconquistar confiança, reforçar a sua moral», diz o texto.
«A FRETILIN, disse o ministro Horta, é demasiado importante e não deve ser partida. Dentro da FRETILIN há alguns grandes desafios internos como negócios, nem sempre transparentes, problemas éticos, etc. Esses problemas têm que ser resolvidos», acrescenta a nota.
O documento, enviado por e-mail para embaixadas em Díli, embaixadas timorenses no exterior e organizações internacionais em Timor-Leste, é da autoria do "Gabinete do Secretário-Geral", Nelson Santos, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
Segundo a nota, o Comité Central da FRETILIN «vai propor um novo PM» ao chefe de Estado timorense e «o actual conselho [de ministros] continuará a funcionar até que o novo governo seja jurado e empossado» pelo presidente Xanana Gusmão.