Mais de um milhar de voos secretos da CIA passou desde 2001 pelos aeroportos e espaço aéreo europeus, sem que os Estados europeus pedissem qualquer informação, revelou esta quarta-feira Claudio Fava, relator da comissão de inquérito especial do Parlamento Europeu.
Com base nas informações fornecidas pelo organismo de controlo aéreo Eurocontrol, a comissão de inquérito liderada por Claudio Fava estima que «mais de 1000 voos da CIA (serviços secretos norte-americanos)» passaram pela Europa, sem que os países europeus tivessem pedido qualquer informação sobre esses voos (identidade dos passageiros, etc.).
Para o relator do PE que investiga as actividades da CIA na União Europeia (UE), os Governos europeus deram provas de uma «inércia culpada» e não podiam ignorar a natureza daqueles voos, cujo «percurso e quantidade fazem pensar que não paravam apenas para reabastecimento de combustível».
No projecto de conclusões preliminares hoje apresentado, Fava classificou como «inverosímil» que determinados Governos não tivessem conhecimento das «actividades de entregas extraordinárias que ocorriam no seu território, espaço aéreo e aeroportos», citando em particular os casos da Itália, Suécia e Bósnia-Herzegovina.
O eurodeputado socialista italiano fazia o balanço do trabalho da comissão de inquérito parlamentar criada há quatro meses, que decorre em paralelo com um outro inquérito realizado pelo Conselho de Europa, em Estrasburgo, encarregado de verificar o respeito da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
A comissão parlamentar não tem poderes de investigação mas procedeu a várias audições que confirmaram, segundo Fava, que a CIA foi «claramente responsável pelo sequestro e detenção de alegados terroristas no território dos Estados membros».
O texto de Fava deverá agora ser debatido e eventualmente alterado antes de ser votado e adoptado pela comissão temporária que investiga as actividades da CIA e pelo plenário do Parlamento Europeu.