O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, crê que Deus será o juiz último da sua decisão de apoiar a guerra no Iraque, muito contestada na Grã-Bretanha, como confiou numa entrevista à televisão britânica ITV que será emitida sábado.
Interrogado sobre a sua decisão de enviar cerca de 40.000 soldados britânicos para o Iraque, Blair declarou: «É preciso tomar uma decisão e viver com ela. No final, há um julgamento e, se temos fé, damo-nos conta de que outros nos julgarão».
«Se acreditamos em Deus, (o julgamento) é feito por Deus também», prosseguiu.
Lembrando não se ter tratado de uma decisão como as outras, porque estavam vidas em jogo, acrescentou: «A única maneira de tomar uma decisão como esta é tentar fazer o que está bem, segundo a nossa consciência, e deixar o resto para o julgamento que fará a História».
Ao entrevistador que lhe perguntava se rezava antes de tomar uma decisão como essa, Blair, um anglicano praticante casado com uma católica, escusou-se a responder, alegando não querer «entrar nos pormenores».
«Evidentemente, lutamos com a nossa consciência porque (a decisão) afecta a vida das pessoas e é uma dessas situações em que suponho que muito pouca gente quer ver-se. No final há que fazer o que pensamos ser correcto», acrescentou.
Lembrando a sua vitória esmagadora em 1997, quando pôs fim a 18 anos de domínio conservador, Blair comentou durante a mesma emissão: «Na altura, as pessoas gostavam de mim».
No Outono passado, o então primeiro-ministro palestiniano Mahmud Abbas contou à rádio televisão britânica BBC que o presidente norte-americano, George W. Bush, lhe explicara em Junho de 2003 que tinha obedecido a uma ordem divina ao invadir o Afeganistão e depois o Iraque.