O advogado do pai biológico da pequena Esmeralda considerou que a decisão da Relação de Coimbra que dá o poder paternal a Baltazar Nunes «era uma questão de justiça». Já o promotor do "habeas corpus" a favor da libertação do sargento Luís Gomes diz que esta decisão é preocupante.
O advogado do pai biológico da pequena Esmeralda considera que a decisão da Relação de Coimbra de entregar a criança a Baltazar Nunes «não é apenas uma questão justiça, mas uma questão cívica e de deferência».
«A desinformação neste país em relação a este caso com a conivência de muita gente e de muitas instituições foi de tal ordem que esta decisão é uma questão de deferência, cívica e ética», afirmou José Luís Martins, ouvido pela TSF.
O defensor de Baltazar Nunes recorda que Portugal é um Estado de Direito e que esta decisão mostra que «o arbítrio, a prepotência e a arrogância de muita gente e muitas instituições» acabaram por não prevalecer.
José Luís Martins disse que «tem a informação lateral» de que o acórdão que vai dar o poder paternal de Esmeralda a Baltazar Nunes estará já a ser elaborado e que notificação poderá surgir já na quinta-feira.
«Evidentemente que não a poderei dar como assente enquanto ela não aparecer no escritório», concluiu o advogado de Baltazar Nunes, o pai biológico de Esmeralda, que viu a sua filha ser entregue ao casal que ficou com a sua guarda sem a sua autorização.
Já o primeiro subscritor do "habeas corpus" a favor da libertação do sargento Luís Gomes, o pai adoptante da pequena Esmeralda, revelou a sua preocupação em relação a esta decisão da Relação de Coimbra.
Para Fernando Silva, com este acórdão, o tribunal «ignora por completo» os últimos acontecimentos deste caso, em particular os relatórios dos técnicos que têm acompanhado esta criança.
«Foram feitos exames ao estado emocional e psicológico da criança encomendados pelo próprio tribunal. Os técnicos que o fizeram e que estiveram junto da criança são da maior isenção possível», acrescentou.
Ainda segundo este advogado, os testes feitos concluíram que «os contactos da criança com o pai biológico estavam efectivamente a causar na criança uma perturbação psíquica a evoluir para uma situação bastante grave».