O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. António Moreira Montes, comparou esta segunda-feira o aborto à pena de morte, aludindo à execução de Saddam Hussein que «horrorizou o mundo».
À margem de uma reunião com párocos da diocese, o prelado afirmou que «toda a gente ficou horrorizada com a execução de Saddam», sublinhando que «a questão do aborto é uma variante da pena de morte».
No entender do bispo «a vida não se discute, não vai a votos, mas já que o referendo está aí, então a Igreja tem de tomar também posição».
Segundo D. António Moreira Montes, a reunião de hoje, e outras que se seguem nos próximos dias em diferentes zonas da Diocese, servirão para transmitir aos párocos a nota do Conselho Permanente da Conferência Episcopal sobre o referendo.
A nota da Conferência Episcopal, que está a ser divulgada aos párocos de Bragança, refere que «esta não é uma campanha partidária, é uma oportunidade de prestar um esclarecimento sereno sobre os problemas das vida e as responsabilidades que daí decorrem».
«E não queremos transformar isto numa quermesse eleitoral, mas se eu, numa homília, me declaro contra um assassinato também tenho de alargar essa dimensão a todas as fases da vida», afirmou o prelado.
O bispo da diocese de Bragança-Miranda considerou também «uma contradição a posição daqueles que se assumem como paladinos dos direitos humanos e defendem o aborto».
«Tenho dificuldade em compreender que pessoas, associações e partidos políticos que são paladinos dos direitos humanos recusem o primeiro direito humano que é o direito à vida», frisou.
Entretanto, em declarações à TSF, o bispo classificou o aborto como um «variante da pena de morte», mas negou a sua comparação com a execução de Saddam Hussein.