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Um ano depois, ilusões esgotam-se em Nova Orleães

Um ano depois do furacão Katrina, a situação em Nova Orleães não melhora, mas a pior notícia é que muitos dos seus habitantes começaram a perder a ilusão de reerguer a cidade. No último ano, a mítica cidade do jazz perdeu mais de 184 mil postos de trabalho. E muitos dos antigos habitantes teimam em não regressar.

A realidade nas ruas assemelha-se à de Esperanza Hartley, que estabeleceu um prazo de 30 dias: ou tudo muda ou pega nos seus escassos pertences e ruma a outro lugar do estado de Louisiana «onde não haja furacões e faça calor».

Esperanza Hartley chegou há cinco anos a Nova Orleães para ganhar a vida e serve cervejas e bebidas frescas num bar do bairro francês.

Perdida no mar de números utilizados por políticos e meios de comunicação, as contas são muito claras: há um ano, antes do Katrina, ganhava 1.500 dólares por semana em gorjetas, agora fica-se pelos 100 dólares.

«Não espero sequer que com o que ganho possa comprar alguma comida para a minha gata 'Nefertiti'», acrescentou a jovem de 27 anos, enquanto apontava para um copo de plástico vazio.

Esperanza Hartley, que deixou para trás a terra natal no estado de Virgínia e um filho em casa da mãe em Nova Iorque, regressou a Nova Orleães cheia de sonhos duas semanas depois do furacão e, ainda que com aposentos ínfimos, viu como a renda de casa duplicou neste período.

Apesar dos discursos eloquentes que sucederam à catástrofe, a energia inicial perdeu-se num lodaçal de burocracia e desencanto.

Uma sondagem recente do diário "USA Today" e da empresa de sondagens Gallup assegurava que 30 por cento dos que regressaram à cidade tentarão abandoná-la se a situação não melhorar.

«Isto é como a relação como uma mulher, sabes?», refere Shawn Bradton, um jovem estudante universitário, acrescentando que «não se rompe por um enfado, mas sim quando acaba o encanto de estar com a pessoa».

Cidade perdeu 184 mil postos de trabalhos num ano

Reqshu Bharadwag, um imigrante indiano que dirige uma loja camisolas e lembranças na mítica rua Bourbon, é outro dos que fala em prazos.

«Há que esperar até que regressem os que cá viviam. É um processo lento e que vai demorar a consolidar-se», sublinha.

Nas ruas de Nova Orleães nada se passa que desminta Bharadwag: muitos estabelecimentos continuam encerrados e exibem tapumes de madeira que impedem que se vejam os destroços que o furacão deixou no interior.

Não em vão, a área metropolitana de nova Orleães perdeu mais de 184.000 postos de trabalho num ano, segundo dados de Junho fornecidos pelas autoridades locais.

No entanto, alguns encontram forças e são optimistas, como os irmãos Andrews - trompetista o mais velho e percussionista o mais novo - que garantem que a cidade está a preparar-se para «regressar com mais força ainda».

Que esse desejo se converta em realidade depende em grande parte do regresso de turistas e visitantes à cidade do jazz.



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