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Bento XVI reconhece dificuldade em falar de Auschwitz

 
O Papa Bento XVI visitou, este domingo, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, no âmbito da sua visita à Polónia. Visivelmente emocionado, Bento XVI reconheceu a dificuldade para um papa alemão de falar em Auschwitz e dos crimes cometidos pelo regime nazi, num discurso duro e sentido.

Um Bento XVI visivelmente emocionado esteve presente este domingo no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, naquela que é a última etapa da viagem de quatro dias do Sumo Pontífice à Polónia e a Cracóvia, terra natal do seu antecessor, João Paulo II.

O papa rezou em alemão antes de proferir um pequeno discurso italiano no qual reconheceu a dificuldade, para um papa alemão e cristão, de falar de crimes «sem equivalência na História» da humanidade.

«Num local como este, as palavras falham. No fim, apenas pode existir um silêncio de morte, um silêncio que é, ele próprio, um apelo a Deus: Porquê, Deus, Te mantiveste em silêncio? Como pudeste tolerar isto?», disse.

O campo de concertação de Auschwitz-Birkenau foi usado pelo regime nazi, durante a II Guerra Mundial, para pôr em prática a chamada «Solução Final» de Adolf Hilter que previa "limpar! a Europa do povo judeu.

Estima-se que cerca de seis milhões de judeus tenham perdido a vida nos campos de concentração antes das forças aliadas terem derrotado a Alemanha Nazi e libertado os campos.

Bento XVI, que em jovem esteve alistado na juventude hitleriana, atribuiu as responsabilidades dos crimes do nazismo a «um grupo de criminosos» que «abusaram» do povo alemão e dele se serviram «como instrumento para alimentar o seu desejo de destruição e dominação».

O Sumo Pontífice adiantou que o povo polaco, conjuntamente com o povo judeu, foi quem mais sofreu no campo de concentração nazi de Auschwitz e no decurso da guerra. A Polónia, recorde-se, esteve sob ocupação alemã durante a II Grande Guerra.

«O nosso silêncio transforma-se, assim, numa prece pelo perdão e reconciliação, uma prece para que o Deus Vivo não permita que isto aconteça outra vez», avançou Bento XVI.

O chefe da Igreja Católica acusou ainda o regime do III Reich de, ao querer «exterminar o povo judeu na sua totalidade, queria sim matar Deus, pronunciando então a palavra «Shoah (Holocausto)», a mesma que João Paulo II evitou pronunciar durante a sua visita a Auschwitz, em 1979.

«Com a destruição (do povo) de Israel, eles queriam, no fim das contas, arrasar com as raças que se apoiam na lei cristã para a substituírem pela lei da dominação do homem», declarou.



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