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Ex-comandante da GNR acusa Brigada Norte de tráfico de influências

 
O ex-comandante do destacamento da GNR de Braga faz várias acusações contra a Brigada Norte, incluindo tráfico de influências. Em declarações à TSF, José Pires diz que foi desautorizado pelos seus superiores num caso que envolve o policiamento do Municipal de Braga.

 

 

O ex-comandante do destacamento da GNR de Braga acusa o comando da Brigada Norte de tráfico de influências, traição, desrespeito pela legalidade democrática e falta de lealdade e isenção.

O capitão José Pires, considerado desde 11 de Abril pela corporação como «desertor, considera que a Brigada Norte trocou a defesa da legalidade por interesses estranhos ao Estado num caso que envolve o Sp. Braga.

Em causa está o facto de José Pires ter sido impedido pelos seus superiores de cumprir a lei por causa dos atrasos de seis meses nos pagamentos do clube relativos à segurança dos jogos e que chegaram a superar os 22 mil euros, diz o ex-comandante.

O capitão da GNR falou então com o clube bracarense que concordou em fazer estes pagamentos num prazo de 15 dias, senão os policiamentos deixariam de ser feitos, promessa que José Pires assegura que não foi cumprida pelos dirigentes do Sp. Braga.

Depois, ainda no princípio da época, os dirigentes do Sp. Braga alegaram que não podiam pagar esta dívida, o que levou o ex-comandante a decidir que não haveria mesmo segurança, o que iria acontecer caso não tivesse sido desautorizado pelos seus superiores.

«Se não tivesse sido desautorizado não teria havido força policial no Sp. Braga-Penafiel e assim seria atribuída a derrota ao Sp. Braga e a perda de três pontos. A decisão teve em vista evitar que o Sp. Braga fosse penalizado dessa maneira», explicou à TSF.

Segundo José Pires, foi o presidente da Mesa da Assembleia geral do clube bracarense que terá exercido pressões sobre o comando da brigada e o comando territorial, nomeadamente ameaçando que seria que a direcção do clube seria entregue à Câmara caso não houvesse policiamento.

«Recusei-me a ouvir mais. Não quis estar também a ser influenciado», acrescentou o capitão, que foi informado pelo comandante da brigada territorial que o policiamento iria ser feito por «interesse estratégico da GNR» para impedir que a PSP assumisse o policiamento do estádio do Sp. Braga.

José Pires diz que o coronel Gaiolas, que o desautorizou, foi favorecido pelo Sp. Braga e que este fez questão de dizer, em Outubro, o ex-comandante que tinha convite para o Sp. Braga-Benfica, jogo a que o comandante da brigada territorial assistiu.

Perante este facto, José Pires pediu a passagem à reserva e a destituição de funções, recusando comandar o policiamento no Municipal de Braga, mas acabou por ver um médico a declarar que José Pires tinha «stress nervoso».

Na sequência deste episódio foi-lhe marcada uma junta médica a que não compareceu, o que lhe valeu um processo disciplinar, tendo a 11 de Abril sido considerado «desertor por ausência ilegítima».

«Se tiver de cumprir pena de prisão para a cadeia será com muita honra que serei preso para defender a minha liberdade, dignidade e honra», concluiu.

Estas denúncias foram já entregues ao Ministério da Administração Interna, ao Comando Geral da GNR e à Polícia Judiciária Militar.

Contactado pela TSF, o presidente da Assembleia-geral do Sp. Braga diz não saber nada sobre este assunto, ao passo que a SAD do Sp. Braga também não quis falar.

O antigo Segundo Comandante da Brigada Territorial disse também não querer fazer qualquer declaração pública, reservando-se para o local e momento apropriados.



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