O Dia Mundial da Protecção Civil é celebrado esta quarta-feira em Faro com a assinatura de um protocolo para o estudo dos riscos sísmicos e de maremotos no Algarve. Nunca foi realizado um estudo mas as simulações feitas até agora indicam que, em caso de catástrofe, haveria milhares de mortos.
Se o Algarve fosse atingido por um grande sismo, poderiam registar-se 11 mil mortos, quase sete mil feridos e 16 mil e 500 edifícios entrariam em colapso, de acordo com um estudo realizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
No entanto, o estudo da Comissão de Coordenação da região do Algarve apresenta números mais dramáticos: caso se registasse um abalo sísmico com epicentro a 150 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente morreriam entre 25 mil a 200 mil pessoas.
Carlos Martins, professor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Algarve, considera que na região muitos edifícios não estão preparados para uma catástrofe deste género.
«Posso dizer que existem configurações de edifícios que estão claramente desadequadas às condições locais ao nível de registo sísmico. Porque o estado português para as obras publicas e muito exigente mas vira as costas às obras particulares», declara.
«Infelizmente o Estado desresponsabiliza-se dessa questão consignando aos técnicos responsáveis pelas obras essa responsabilidade, uma vez que para um edifício ser aprovado basta que seja assinado um termo de responsabilidade», explica Carlos Martins.
O "Estudo de risco de sísmico e de prevenção de tsunamis", da responsabilidade da Universidade do Algarve, arranca em Março e deverá prolongar-se por dois anos, durante os quais serão identificadas as zonas da região com maior risco de catástrofes naturais.