O ministro da Agricultura admite obrigar os proprietários de aves do país a declararem os animais que possuem e responsabilizá-los pelo isolamento dos bichos, por causa da gripe das aves que já atingiu sete países europeus.
Numa visita a uma exploração avícola em Aveiras de Cima, Jaime Silva advertiu que o vírus H5N1 - a estirpe mais perigosa da gripe aviária - se transmite pelas aves migratórias e por isso é necessário impedir o contacto destes animais com os que se encontram em exploração para consumo.
A medida equacionada pelo governo será tomada na época crítica para a transmissão da gripe das aves, quando as aves sobem para a Europa.
«Hoje à tarde vou reunir com os produtores avícolas e não excluo adoptar a obrigação de declaração de aves que as pessoas têm em sua posse e exigir que tomem medidas para impedir o contacto com as aves migratórias», salientou Jaime Silva.
O ministro disse também que vai pedir às direcções-gerais de Agricultura e autarquias para que façam um inventário dos aviários existentes em regime extensivo, ou seja, aves que estão em regime aberto e que não estão confinadas a um espaço isolado.
Quebra de 50 por cento em vendas
Após a visita à exploração aviaria em Aveiras de Cima, o ministro disse recusar a vacinação dos animais, para que o problema não seja escondido, sublinhando que se os cientistas aconselharem o contrário, então Portugal tomará a medida.
Sobre as quebras de produção, o ministro lembrou que a Comissão Europeia tem já algumas medidas tomadas para o caso de se verificarem quebras substanciais, nomeadamente o financiamento de 50 por cento dos custos do abate maciço de aves.
Apesar disso, Jaime Silva disse que alertou segunda-feira a comissária europeia da Agricultura para a necessidade de Portugal vir a necessitar de ajuda financeira.
Na visita, o ministro quis sobretudo sossegar os consumidores, lembrando que os cientistas dizem que o consumo de aves é seguro desde que o animal seja cozinhado a uma temperatura superior a 70 graus.
Ainda para sossegar os consumidores, Jaime Silva disse que toda a produção profissional está confinada, portanto isolada de qualquer contacto com as aves migratórias.
A exploração avícola hoje visitada parece demonstrar que os consumidores estão reticentes.
O proprietário da exploração apontou uma quebra de 50 por cento desde Setembro na sua produção, mostrando-se preocupado com os efeitos psicológicos da gripe das aves nos consumidores.
«Não se adivinham coisas boas», referiu Francisco João Rêgo.