O ministro da Saúde admite que o Serviço Nacional de Saúde poderá vir a ser parcialmente pago pelo utente. Correia de Campos diz que se não houver o «milagre do crescimento» no país, as coisas podem mudar.
O ministro da Saúde admitiu, esta sexta-feira, que o modelo de financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) poderá passar a ser pago parcialmente pelo utente, caso a despesa não seja controlada rapidamente.
«Foi-nos concedida uma oportunidade, provavelmente a última para o actual modelo de financiamento global do Serviço Nacional de Saúde. É provavelmente a última hipótese de demonstrar que o modelo de financiamento que temos é viável», avisou Correia de Campos.
O ministro disse ainda que «sem violar a Constituição seria possível organizar a procura em três grupos: um de procura de cobertura a cem por cento, outro de cobertura a 75 por cento e outro a 50 por cento», cabendo ao utente o pagamento do restante.
Apesar de ter formulado a hipótese, Correia de Campos disse que é sua «convicção plena que se poderá chegar ao fim de 2006 e mostrar que o modelo é viável».
Na cerimónia de abertura do primeiro Seminário Nacional sobre Financiamento Hospitalar, o titular da pasta da Saúde defendeu também um controlo apertado da despesa hospitalar com os medicamentos, mas também das aquisições hospitalares e recursos humanos.
«Temos muitas gorduras ao nível da administração hospitalar e em medicamentos. Temos de negociar caso a caso, indústria a indústria, medicamento a medicamento, médico a médico. É uma tarefa ao milímetro», sublinhou.
Correia de Campos disse ainda que este rigor não se deve limitar às administrações, mas estender-se às chefias intermédias, onde, por vezes, há «falta de diálogo».
Correia de Campos quer ainda um «avaliação rigorosa do actual sistema» que deve passar pelo «controlo mensal da despesa de saúde», fundamental para se saber se será necessário mudar o actual modelo de financiamento do sector.
Reagindo a estas declarações, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares Manuel Delgado que diz que isto apenas pode acontecer se houver uma grande rotura financeira no SNS.