O padre Carreira das Neves entende que a Igreja Católica fez bem em esclarecer a sua posição relativamente aos homossexuais com o documento que os excluirá do sacerdócio. Paulo Corte-Real, da ILGA Portugal, acha que este é «mais um erro histórico» da Igreja.
O padre Carreira das Neves considerou que o Vaticano fez bem em esclarecer nestes termos a questão dos homossexuais poderem ou não vir a frequentar seminários e posteriormente serem ordenados.
«A Igreja vai contra a corrente gay que existe, cultura que tem um lobby muito poderoso. Mas isso não significa que vai contra a pessoa em si, vai contra a função de uma pessoa dentro da Igreja», explicou.
Para este responsável do Seminário da Luz, a decisão da Igreja baseia-se «em problemas de ordem social, psicológica e espiritual muito complicados».
«A Igreja é feita de homens e mulheres e o homossexual tende mais para se ligar mais ao homem e pôr de lado o sexo feminino», acrescentou.
Carreira das Neves aludiu a «atitudes de padres homossexuais diante dos quais as mulheres que trabalham na Igreja e que são a maior parte desta se sentem de lado». «Isso existe», sublinhou o também professor de Teologia.
Este responsável considerou ainda correcto o facto de o Vaticano excluir destas regras os padres já ordenados, considerando que a acontecer isso seria «injusto, desonesto e anti-humano».
«É um assunto que tem a ver com a situação actual. Não me parece que em relação aos sacerdotes homossexuais devessem ser retirados do sacerdócio», concluiu.
Já Paulo Corte-Real, da Associação ILGA Portugal, considerou que esta posição é «mais um erro histórico numa longa história com muitos erros da Igreja Católica Apostólica Romana».
«Num momento em que outras igrejas mostrar perfilhar uma filosofia de inclusão, nomeadamente a Igreja Anglicana e a Igreja Sueca, que põe a hipótese de abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo, pelo contrário o actual papa opta por enfatizar a exclusão dos homossexuais e isso é obviamente um problema dentro da própria Igreja», acrescentou.
Paulo Corte-Real assinalou ainda o facto de ser «preocupante a influência que esta igreja pode ter a nível dos estados democráticos e é isso que é preciso impedir nomeadamente a nível do reconhecimento das uniões entre pessoas do mesmo sexo».