Os portugueses consomem demasiados antibióticos e mal, muitas vezes sem recorrer ao médico. Na União Europeia somos o quarto país que mais utiliza este medicamento. Apesar da campanha que foi realizada, de acordo com um estudo divulgado esta terça-feira, ainda há muito para corrigir em Portugal.
A campanha que alerta para a má utilização dos antibióticos começou há um ano, e o balanço da primeira fase revela que poucos foram os portugueses que mudaram de atitude em relação aos antibióticos.
Quarenta e cinco por cento confessa que não sabe quando este medicamento deve ser usado, 14 por cento recorre a restos de antibióticos que guardam da última utilização, 17 por cento compram o medicamento na farmácia e mais tarde leva receita medica.
Uma grande percentagem não cumpre os horários das tomas e quarenta por cento admite interromper a medicação quando se sente melhor.
O estudo revela ainda que muitos portugueses julgam que o antibiótico combate doenças provocadas por vírus como o da gripe. Uma ideia que tem de ser combatida, avisa José Robalo, subdirector-geal de saúde.
«Os antibióticos só combatem bactérias (e não vírus) por isso as pessoas não podem usar antibióticos se não for para combater determinadas bactérias», explica.
Outro dado importante do estudo, e que os doentes exercem pressão sobre os médicos e os farmacêuticos para que lhes seja recitado um antibiótico. Isabel Cacheiro, da Ordem dos Médicos, diz que os clínicos devem explicar bem porque motivo não prescrevem antibióticos.
«É preciso explicar porque motivo não se está a prescrever antibióticos. Porque senão as pessoas não percebem que uma simples constipação não se resolve com antibióticos, o que atrasa o tratamento», salienta.
O estudo hoje apresentado foi realizado antes e depois da campanha "Antibióticos: use-os de forma adequada", que decorreu em Novembro de 2004 e que tem agora uma nova fase que visa esclarecer a população de que estes medicamentos "nem sempre são o melhor remédio".