As Nações Unidas calculam que em todo o mundo haja 852 milhões de pessoas que passam fome. A organização sublinha que para reduzir este número para metade, na próxima década, é preciso uma mudança de comportamento por parte dos países ricos.
As Nações Unidas divulgaram esta terça-feira, em Roma, o relatório anual sobre a fome no mundo, e voltaram a destacar o gigantesco número de crianças que morrem por não terem o que comer.
Cerca de seis milhões de crianças morrem todos os anos porque os seus sistemas imunitários estão debilitados pela fome e subnutrição, o que as torna incapazes de superar doenças infecciosas curáveis como a diarreia, o sarampo ou a malária.
São as conclusões sobre o relatório anual sobre a fome no mundo, divulgado hoje pela FAO (sigla em inglês da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação). O documento volta a salientar a necessidade de atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, definidos em 2000.
Reduzir a fome e a pobreza extrema até 2005 é o primeiro desses objectivos, que os governantes dos 189 países se comprometeram a cumprir na Cimeira de 2000 e que incluem também o acesso à educação, a igualdade entre sexos, a luta contra a mortalidade infantil, a melhoria da saúde materna ou a sustentabilidade do meio ambiente.
«A maior parte desses objectivos não serão atingidos sem um compromisso mais determinado e progressos mais rápidos», adverte o director da FAO, Jacques Diouf, no prefácio do relatório.
América e Ásia evoluem, África estagnada
As notícias mais animadoras chegam da América Latina e do Caribe, a única região em vias de desenvolvimento que reduziu a fome de forma suficientemente rápida desde 1990, de forma a alcançar a meta estabelecida nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, segundo o documento.
A Ásia e o Pacífico também têm «boas possibilidades», indica a FAO.
As más notícias - ainda segundo a agência da ONU - provêm, uma vez mais, da África subsaariana, onde a fome diminui «muito lentamente».