O ministro da Saúde admite que errou quando mencionou o número de médicos oftalmologistas a trabalhar no Hospital dos Capuchos a propósito dos problemas de gestão de recursos humanos na área médica.
Numa entrevista à SIC Notícias, na quarta-feira à noite, Correia de Campos considerou uma «vergonha nacional» haver 59 oftalmologista no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, «e no entanto se se quiser uma consulta não se consegue».
«É preciso fazer uma pequena correcção não se trata do Hospital dos Capuchos apenas, mas do Centro Hospitalar Oriental Lisboa, onde o Hospital dos Capuchos se integra, e é um dos dois grandes hospitais, há um terceiro muito mais pequeno. Em segundo lugar uma outra correcção não são 59, mas 58», adiantou.
O ministro vai assim de encontro às palavras da directora do Hospital dos Capuchos, Lucília Lopes, que repudiou as declarações de Correia de Campos.
«Em número total temos apenas 30 médicos, dos quais 24 especialistas e seis internos em formação. Não sei onde é que o senhor ministro arranjou 59 médicos. No serviço só há muitos, muitos anos esse número podia estar correcto», afirmou à TSF.
O ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmou também na quarta-feira que há excesso de médicos nos hospitais, porque o Estado está refém de «uma carapaça jurídica que tem sido alimentada pelos sindicatos e interesses corporativos».
O presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Manuel Delgado, concorda com o ministro.
«A carapaça jurídica tem na base um modelo de funcionário público que não permite flexibilizar os recursos humanos dos hospitais nem dos médicos nem dos outros», afirmou.
O responsável considera ainda que «não existe um controlo minimamente sério da assiduidade, nem da pontualidade».