O Governo vai empossar uma comissão técnica para auditar o funcionamento da Administração Pública, esperando-se resultados dentro de um ano. Os sindicatos duvidam da eficácia destes estudos, recordando que o que é preciso é vontade política.
Uma comissão técnica constituída por cinco professores e um gestor vai ser empossada esta quinta-feira à tarde com o objectivo de passar a "pente fino" toda a Administração Pública para tentar que esta se torne mais eficaz e eficiente.
Este grupo de trabalho está encarregado de apresentar um relatório que deverá estar concluído dentro de um ano, concretizando-se assim uma promessa eleitoral de José Sócrates.
No relatório deverá constar o diagnóstico actual da Administração Pública, mas também soluções que façam baixar os custos de todos os ministérios.
O grupo, onde estão professores das maiores universidades portuguesas, terá ainda de procurar formas de racionalizar, descentralizar e modernizar os serviços da Administração Pública.
O ministro da Administração Interna e das Finanças estão encarregados de coordenar esta comissão técnica, que poderá ainda apresentar sugestões na revisão de funções e alteração de organismos.
Em declarações à TSF, o sindicalista Bettencourt Picanço considera que esta auditoria à Administração Pública poderá acabar por ter efeitos reduzidos, apesar de acreditar num «grande relatório» dentro de um ano.
O dirigente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado lembrou ainda que os trabalhadores «aguardam há muito que a Administração tenham um controlo rigoroso e adequado».
«As auditorias são sempre bem-vindas. O grande problema é que para além das auditorias que são feitas de longe a longe falta o controlo periódico e diário», acrescentou Bettencourt Picanço.
O sindicalista coloca ainda um ponto de interrogação na questão de esta auditoria ser feita por docentes universitários pois estes «não são auditores».
«Se o que se esperar desta auditoria for idêntico ao Governo que temos, quase todo constituído por docentes universitários, não lhe auguramos grandes resultados», concluiu.
Por seu lado, o sindicalista Paulo Trindade recordou que os muitos estudos que foram feitos à Administração Pública não deram grandes resultados, recordando estudos como o dos Institutos Públicos, dirigido por Vital Moreira, que depois não se traduziu em resultados práticos.
«Os diagnósticos são feitos há muito tempo, o que é preciso é vontade política para tornar a Administração Pública mais moderna e mais eficaz», acrescentou.