Os criadores estão a ter enormes prejuízos com a seca que se está a abater sobre Portugal. Segundo a Associação de Criadores de Ovinos do Sul, estão a morrer 120 cabeças de gado diariamente, quatro vezes mais do que no princípio de 2005.
A seca que está assolar Portugal, a pior dos últimos 60 anos, está a ter consequências terríveis na pecuária, uma vez que estão a morrer em média 120 cabeças de gado por dia, só no sul do país.
As razões que fizeram aumentar a morte de ovinos e caprinos de 30 por dia no princípio de 2005 para o quádruplo têm a ver essencialmente com o calor, mas também com a falta de alimento, justificada pela quebra de 76 por centro nas pastagens alentejanas.
O presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul recordou que já não há pastagens e que «tudo o que os animais comem tem de ser comprado», o que resulta numa alimentação deficiente.
Em declarações à TSF, Manuel de Castro e Brito disse ainda que a alimentação está a ser comprada a «preços exorbitantes», encarecidos pelos preços do transporte das palhas para os animais.
«A solução é comprar palhas no estrangeiro, o que é proibitivo, principalmente quando as distâncias são muito grandes. Temo-nos abastecido de palha no norte de Espanha a preços muito altos. Posso dizer que um quilo de palha tem o mesmo preço de um quilo de cereais», acrescentou.
O aumento no número de mortes entre o gado português já obrigou o Sistema Integrado de Recolha de Cadáveres de Ovinos e Caprinos a aumentar a sua área de intervenção.
O SIRCA, que iniciou as suas actividades há 10 meses, precisamente quando começou o período de seca, recolhe os animais mortos que são posteriormente incinerados em Coruche.