No Vale do Ave, a crise económica atirou várias operárias textêis para a prostituição. São mulheres que continuam a trabalhar nas fábricas, mas que durante a noite se prostituem para poderem aumentar o rendimento familiar.
Na zona do Vale do Ave há 36 mil desempregados inscritos nos centros de emprego.
Adão Mendes diz por isso que esta duplicidade na vida das operárias não constitui uma surpresa para a União dos Sindicatos de Braga.
«São trabalhadoras que estão em situação muito precária, salários baixos e em atraso, que se habituaram a fazer quatro e cinco horas de trabalho extraordinário e que agora apenas trabalham oito horas», realça.
«Através de esquemas e da cumplicidade de algumas colegas de trabalho, organizam-se para ir para aqui e acolá, há também pessoas sem escrúpulos que levam as operárias para certas zonas e casas», acrescenta.
Adão Mendes conta que na maior parte dos casos, as mulheres se prostituem sem o conhecimento das famílias, mas há situações em que os maridos até colaboram.
Para o delegado regional do Porto da Comissão para a Igualdade e Direitos da Mulher, que não tinha conhecimento deste caso específico, situações como a descrita são preocupantes e representam a vitimização da mulher.
Manuel Albano afirma que a colaboração dos maridos poderá configurar um crime, até porque a concordância da mulher pode ser mais aparente do que real.
Perante esta situação, Manuel Albano defende que seria importante estudar este fenómeno para evitar que o Vale do Ave além de região deprimida possa ficar com outros rótulos.