Graças a sistemas ancestrais de detecção de alterações na natureza, as seis tribos primitivas que habitam as ilhas indianas de Andaman e Nicobar sobreviveram ao tsunami que assolou o sudeste asiático.
Os aborígenes daquele arquipélago do Golfo de Bengala, no Ìndico, pressentiram que ia ocorrer um desastre na zona, disse esta terça-feira à agência noticiosa indiana (PTI) o director da Inspecção Antropológica
da Ìndia (ASI), V.R. Rao.
«Os membros das tribos apercebem-se da iminência de um perigo através de sinais biológicos como o canto das aves e alterações no padrão de comportamento dos animais marinhos», afirmou Rao.
Por isso refugiaram-se nas florestas do interior das ilhas à procura de segurança, poupando vítimas entre as comunidades dos Jarwas, Ongues, Shompenes, Sentenaleses e Grandes-Andemaneses.
Estas tribos datam do Paleolítico Superior e do Mesolítico, pelo que terão entre 20.000 e 60.000 anos de antiguidade.
Porém, a tribo dos Nicobarenses, que data do Neolítico (há entre 5.000 e 7.000 anos) e povoa 12 das ilhas do arquipélago indiano, entre as quais a devastada Car Nicobar, perdeu vários dos seus membros.
Outros grupos tribais são muito menores, como os Shompenes, a única tribo de origem mongol da região, que tem uma população de cerca de 200 pessoas, ou os Jarwas, que são uns 270, e a tribo dos Ongues, formada por apenas uma centena de pessoas, o que levou a ASI a temer pela sua sobrevivência.
Durante a semana passada esta agência indiana esteve no terreno a avaliar os danos causados a estas tribos - algumas delas hostis a contactos do exterior - que considera «o elo perdido com as primeiras civilizações».
Rao disse que «as áreas dos Jawas e dos Shompens estão intactas», já que habitam nas florestas do interior, mas mostrou-se preocupado com os Sentenaleses, põe estarem dependentes para a sua subsistência de reservas marinhas muito danificadas.
A ASI propôs que se estudem de imediato os conhecimentos ancestrais que ajudaram as tribos a detectar a catástrofe, para que possam ser usados por outras populações costeiras.
Mais de 10.000 pessoas perderam a vida na Ìndia em consequência do tsunami, que causou a morte a mais de 150.000 pessoas em 12 países do sudeste asiático e da costa oriental africana.