Depois de avançada a notícia de que está a ser vendido em Portugal tabaco com um pesticida proibido na Europa, e potencialmente cancerígena, a Direcção de Saúde anunciou que o caso está a ser estudado. A Tabaqueira nega a utilização destas substâncias.
«A dieldrina como pesticida não e utilizada em Portugal pelo menos há 30 anos. Por isso não foi seguramente Portugal que utilizou esse pesticida», garante Francisco George.
Já Nuno Jonet, da Tabaqueira, diz que a empresa ainda não conhece o estudo revelado ontem, mas assegura que os testes realizados pela Philip Morris, grupo a que pertence a Tabaqueira, nunca revelaram essa substância.
«A Philip Morris Internacional procede a análises de qualidade particularmente exigentes, quer do tabaco em rama, quer dos produtos acabados. Esses testes, não têm revelado a presença da substância a que se refere o estudo», sublinha.
«Por outro lado, a Philip Morris aplica normas muitos estritas quanto às condições do cultivo do tabaco, embora a Philip Morris não produza tabaco, porque é importado», conclui Nuno Jonet.
DECO sugere testes para confirmar utilização de pesticidas
Mesmo assim, Margarida Moura, jurista da DECO, diz que a Tabaqueira tem que responder pelos produtos que comercializa: «Nos termos da lei, os fabricantes e importadores de produtos de tabaco devem efectuar medições relativamente aos teores máximos de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono».
«Para além destas medições, a Direcção Geral de Saúde pode determinar que estas empresas façam testes para avaliar outras substâncias produzidas pelos seus produtos. Nesta situação que agora veio a público, a Direcção geral de Saúde deve exigir esses testes para averiguar a existência ou não destes pesticidas», salientou a jurista.