As emissões de gases poluentes que provocam o sobreaquecimento global aumentaram num ano em Portugal 5,7 por cento, segundo dados revelados hoje pela associação ambientalista Quercus.
Com estes valores referentes a 2002, Portugal ultrapassou em 13,5 por cento as metas definidas no Protocolo de Quioto, acordo global para combater as emissões de gases com efeito de estufa que provocam as alterações climáticas.
Portugal era um dos países que estava autorizado a aumentar as suas emissões, em 27 por cento, de 1990 a 2010, mas, com os dados de 2002, essa barreira foi novamente ultrapassada, como já aconteceu em 2001.
Se a tendência de aumento de emissões poluentes continuar como até agora, em 2010 Portugal estará 39 por cento acima das obrigações do Protocolo de Quioto.
Segundo contas da Quercus, os custos deste incumprimento para o país podem atingir os 273 milhões de euros por ano, já que Portugal terá de começar a comprar direitos de emissão de poluentes a outros países que tenham níveis abaixo dos permitidos por Quioto.
Os ambientalistas querem que o Plano Nacional para as Alterações Climáticas seja aprovado num prazo de duas semanas pelo Conselho de Ministros, para que as medidas propostas possam entrar em vigor «o mais rapidamente possível», segundo Francisco Ferreira.
A Quercus apelou ainda ao início do funcionamento do Observatório para as Alterações Climáticas, aprovado pela Assembleia da República em 2001.
Apesar de reclamar estas medidas, a associação ecologista admite que as «dúvidas sobre o cumprimento das metas do Protocolo de Quioto são cada vez maiores».
O Protocolo de Quioto já foi ratificado pela União Europeia, mas ainda não entrou em vigor por causa da posição indefinida da Rússia.
O acordo exige a adesão dos 55 países que representam 55 por cento das emissões com efeito de estufa e só a Rússia representa mais de 17 por cento.
Os Estados Unidos - responsáveis por 40 por cento da poluição mundial - viraram as costas a Quioto mesmo depois de terem assinado, em 1997, o Protocolo.