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Morais Sarmento faz contas ao programa 'Acontece'

 
O ministro Nuno Morais Sarmento revelou que tendo em conta os custos do programa 'Acontece' e o número de pessoas que o assistem, seria mais barato pagar uma volta ao mundo a todos os espectadores do programa.

 

 

Durante a audiência na comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, o ministro da Presidência garantiu que, tendo em conta «o preço do sinal de emissão, mais no sinal de produção», seria «mais barato pagar uma volta ao mundo a cada um dos telespectadores do 'Acontece'».

Argumentando que a RTP 2, que o Governo pretende entregar à sociedade civil, serve «apenas 0,7 por cento do potencial mercado», o ministro que tutela a Comunicação Social explicou que «o tão falado» programa 'Acontece' não está entre os mais vistos do canal.

«Curiosamente, o que os espectadores vêem mais no segundo canal é o desporto ao sábado, a missa ao domingo e as sitcom, enquanto o tão falado 'Acontece' nem surge entre os dez primeiros», afirmou.

O ministro da Presidência procurou hoje «desmistificar» a RTP 2, afirmando que o segundo canal público «é visto por uma média de 61 mil espectadores diários» e a sua maior audiência está, «curiosamente, nas classes C e D».

Calculando em «seis ou sete milhões de contos» o custo da RTP 2, o ministro voltou a reafirmar a intenção do Governo de participar apenas com 50 por cento daquele valor no novo canal aberto à sociedade civil.

Uma ideia questionada pelo deputado do PCP António Filipe, que reafirmou o desconhecimento que se continua a ter do projecto: «Não se sabe como será a interligação entre as instituições da sociedade civil. Para já, o que se conhece é como comer sardinha assada com ovo a cavalo».

NTV «segura» pelo Governo

Aos deputados, o ministro Nuno Morais Sarmento recordou ainda o processo de aquisição da NTV pela RTP e o objectivo do Governo em transformá-la no «Canal Regiões» da estação pública.

«A PT, que era o anterior accionista maioritário da NTV, queria fechar o canal e podia fazê-lo», disse, lembrando que foi a aquisição por parte da RTP «que evitou que todos aqueles trabalhadores fossem para o desemprego».

«Quando a actual administração da RTP tomou posse, a NTV tinha um passivo de 3,5 milhões de contos e na altura não ouvi ninguém a defender o projecto. Fomos nós que o segurámos», reafirmou.

O governante garantiu que o canal «vai ser centrado no Porto, feito por profissionais do Porto, permitirá sustentar a indústria audiovisual do Porto e servirá a região norte».



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