O Papa João Paulo II criticou a decisão da Holanda de autorizar o casamento homossexual, ao receber o barão Handrik Volkier Bentinck van Schoonheten, embaixador holandês junto da Santa Sé.
«Conheceis o apego da Igreja católica ao casamento, enquanto realidade humana fundamental e célula base da sociedade», afirmou o Papa, acrescentando que «nenhuma outra forma de relação entre duas pessoas pode ser considerada como equivalente a esta relação natural entre um homem e uma mulher que, pelo seu amor, darão nascimento a filhos».
«Convém lembrar - sublinhou - que toda a sociedade tem necessidade de estruturas de base para se construir sobre fundamentos sólidos e objectivos».
O soberano pontífice afirmou igualmente que uma sociedade «não pode decretar regras que anulem o respeito mais elementar devido a todo o ser humano, porque o homem continua, em todas as circunstâncias, a ser o centro da vida social».
A Holanda tornou-se, em Setembro, no primeiro país a autorizar o casamento homossexual. A câmara baixa do parlamento holandês aprovou, por uma larga maioria (107 votos contra 33), uma lei que autoriza este casamento, assim como a adopção de filhos por um casal homossexual.
Para entrar definitivamente em vigor, a lei deve ser ratificada pelo Senado. Este procedimento será mera formalidade, uma vez que os três partidos da coligação no poder, todos favoráveis ao projecto, dispõem da maioria no Senado.
A lei deverá começar a ser aplicada no decorrer do ano 2001, segundo o ministério da Justiça da Holanda, onde 62 por cento dos habitantes se diziam favoráveis ao casamento homossexual, numa sondagem realizada no começo de Setembro.