A taxa de desemprego em Portugal em Outubro foi de 8,2 por cento, corrigiu esta segunda-feira o gabinete oficial de estatísticas das comunidades europeias, Eurostat, que ao início do dia apontara um valor de 8,5 por cento.
Fonte comunitária explicou à Lusa que o «desvio» de 0,3 pontos percentuais terá ocorrido devido a erro humano, designadamente ao facto de não ter sido tomado em conta o inquérito sobre as forças de trabalho.
Deste modo, ao contrário do anunciado anteriormente, a taxa de desemprego não aumentou 0,2 pontos percentuais em Outubro face ao mês anterior, tendo, pelo contrário, descido ligeiramente (0,1 por cento).
Antes desta correcção, em declarações registadas pela SIC, já o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, confrontado com os primeiros dados do Eurostat esperava uma correcção vinda de Bruxelas.
«Estou convicto que ela [a estimativa] vai ser corrigida a muito breve prazo», afirmou.
A declaração do ministro feita esta manhã foi confirmada ao início da noite quando o Eurostat corrigiu os números do desemprego para os 8,2%.
Escutado pela TSF, Hugo Velosa, o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD classifica como, no mínimo, estranha a correcção do Eurostat.
«A correcção na nossa opinião não altera nada», defendeu Hugo Velosa, adiantando que considera «estas correcções muito estranhas, porque o Governo tem sempre invocado que o Eurostat faz as contas de maneira diferente do Executivo, porque normalmente as contas do Eurostat são superiores às do INE».
«Acho que os números devem ter sempre uma enorme credibilidade e a verdade é que com este Governo quer o Eurostat quer o INE enganam-se», acrescentou.
Por sua vez, Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, prefere não comentar o erro do Eurostat.
O dirigente bloquista acrescenta apenas que apesar da correcção mantém tudo o que disse em relação à gravidade dos números do desemprego, considerando que o Governo falhou na estratégia para inverter as tendências negativas.
O valor avançado pelo Eurostat relativamente a Portugal levou todos os partidos da oposição a pedir explicações ao Governo sobre o aumento da taxa de desemprego que se teria verificado em Outubro.