O presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (API), Basílio Horta, coloca-se ao lado do Governo no caso do projecto da refinaria de Sines, que ficou na gaveta depois do Executivo ter feito algumas exigências.
Esta semana o Executivo defendeu que o projecto tal como estava não podia receber o apoio do Estado. Uma posição que fez o empresário, Patrick Monteiro de Barros, suspender as negociações.
Ouvido esta tarde, pelos jornalistas, Basílio Horta considerou que o Estado deve defender o interesse público.
«Os cidadãos devem estar atentos e perceber que aquilo que se tem feito na administração é defender o interesse público. Era mais fácil dizer que sim a tudo», adiantou.
«Pretendemos muito investimento, mas não a qualquer preço, não queremos um investimento em que de um lado da balança há efeitos e do outro há necessidades da comunidade para fazer um esforço de incentivos que não são correspondidos. Não estou a falar deste projecto concreto, mas a defender uma tese geral. A negociação de investimentos é algo seríssimo», acrescentou.
Num almoço no Porto, o presidente da AIP apresentou também algumas medidas de apoio às Pequenas e Médias Empresas. Basílio Horta defende que é preciso dar uma atenção especial a este segmento de empresas.
A AIP vai criar um sector para apoiar a internacionalização das PME. Uma aposta que passa pela atribuição de fundos, mas de forma selectiva.
«O país não pode acorrer a tudo da mesma forma, tem que se avaliar os incentivos que têm sido dados e depois seleccioná-los», disse.
Basílio Horta alertou ainda para a necessidade da «qualificação de gestão» nas PME, por exemplo para a internacionalização é muito importante ter gestores que sejam conhecedores de línguas estrangeiras.
À margem do encontro promovido pela Associação PME, Basílio Horta afirmou que a API está a acompanhar o processo da Lear de Valongo e sublinhou que Portugal não pode continuar a apostar em mão-de-obra barata.