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Ex-ministro defende saída de 200 mil funcionários públicos

 
Miguel Cadilhe considera necessária a saída de pelo menos 200 mil funcionários públicos através da rescisão amigável. No «Contas de Cabeça» da TSF, o ex-ministro defendeu também a venda de ouro para subsidiar a reforma da Administração Pública.

 

 

Miguel Cadilhe defende a saída de 200 mil trabalhadores da Função Pública através da rescisão amigável dos seus contratos, considerando ao mesmo tempo que a proposta do Governo de reforma da Administração Pública e controlo da despesa primária do Estado é insuficiente.

«Nenhum funcionário público será obrigado a ir para a rescisão. A rescisão amigável deve ter indemnizações condignas, atractivas», explicou.

O ex-ministro entende que a rescisão pode acontecer em casos em que um serviço muda, encerra ou está a ser modernizado, o que pode provocar uma não adaptação do funcionário à nova situação.

«O funcionário vai ponderar se não será melhor fazer uma rescisão amigável, levar a sua indmnização e porque não abrir a sua empresa, regressar à sua terra ou simplesmente trabalhar por contra de outrém no sector privado», disse.

Miguel Cadilhe considerou ainda que, apesar de o sector público não estar em subida, não se pode esperar o «melhor dos mundos para fazer esta reforma», pois «Portugal está com um problema seríssimo de competitividade».

Entrevistado no programa «Contas de Cabeça» da TSF, o antigo ministro das Finanças considerou que apesar de algumas discordâncias com as ideias do Governo, há também afinidades entre as ideias que defende no seu livro «O Sobrepeso do Estado» e o que o Executivo de José Sócrates quer.

«Mas, há uma diferença de grau, intensidade e de profundidade. A meu ver, a velocidade não é suficiente. Se o Governo assume custos de mudança, porque não ir mais fundo e mais longe e ser mais extenso nesta reforma?», questionou-se.

Cadilhe propõe venda de ouro para pagar reforma da Administração Pública

Na entrevista, Cadilhe defendeu também a venda do ouro do Banco de Portugal para financiar a reforma da Administração Pública, uma solução que já deu conta ao Governador do Banco de Portugal Victor Constâncio e que entende estar «tecnicamente fundamentada».

«As pessoas podem não gostar da venda do ouro e é claro que as pessoas que estão no Banco de Portugal não gostam da minha proposta. Mas é um preconceito que vem dos tempos de Salazar. Tecnicamente não há objecções à venda do ouro», explicou.

Miguel Cadilhe lembrou ainda que já foi vendido um terço das reservas de ouro de 2001 nos últimos quatro anos, mas sem que este tenha servido para «nenhum desígnio nacional ou reforma estrutural». «Há um imaginário à volta do ouro, mas o ouro está a ser vendido e não se pergunta porquê», acrescentou.

Ex-ministro vê com bons olhos eleição de Cavaco

Embora tenha criticado recentemente Cavaco Silva, o antigo ministro diz que vê com bons olhos a eleição do ex-primeiro-ministro para a Presidência da República.

«Cavaco Silva é uma pessoa muito avisada pela experiência governativa e pelos estudos que fez ao longo da vida. É um economista de grande categoria e mostrou ser um governante de grande categoria», disse.

Apesar disto, Cadilhe lembra que Cavaco «é uma pessoa avisada pelos avisos dos outros porque ao longo de todos estes meses de campanha e pré-campanha todos os seus adversários quiseram avisar o país que Cavaco Silva poderia provocar instabilidade e intromissão na esfera governativa».

«Quando se avisa uma pessoa para os seus defeitos, a pessoa inteligente atenua os seus defeitos. Tem essa preocupação consciente e subconsciente de não cair nos seus pecados e defeitos», considerou.

Miguel Cadilhe disse não estar muito preocupado com o facto de estarem a ser anunciados investimentos que atraíu para para Portugal enquanto estava na Agência Portuguesa para o Investimento.

«Isso significa que houve muito trabalho feito pela equipa da Agência, que fez um trabalho notável. Hoje existe na Agência uma organização eficiente, exigente e com níveis de serviço especificados», adiantou.

O ex-ministro, entretanto substituído na API por Basílio Horta, adiantou ainda que não foi sua vontade continuar no cargo por um segundo mandato.

«Não sou patrão nem dono da agência. Mas fui de algum modo o criador da agência. É bom que o criador não fique sempre com a criatura, sobretudo se não é dono desta. O dono é o Estado», concluiu.



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