O Automóvel Clube de Portugal prevê uma revolta no país, após um novo aumento do preço dos combustíveis, o maior dos últimos cinco anos. As associações de transportadores de pessoas e mercadorias também estão preocupadas.
O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) prevê uma revolta dos automobilistas depois de mais um aumento do preço dos combustíveis.
Carlos Barbosa, ouvido pela TSF, diz que os automobilistas se sentem muito explorados. «Está a haver uma revolta muito grande entre os automobilistas. No ACP, recebemos diariamente cartas e telefonemas de pessoas muito revoltadas», avisa.
«Temo que se comecem a organizar movimentos como se organizaram aqui há uns anos quando pararam a ponte sobre o Tejo. São movimentos que ninguém controla, porque é o povo anónimo que os organiza e com razão porque de facto não há nenhum motivo plausível para estes aumentos», salienta o presidente do ACP.
Quanto aos taxistas, Florêncio Almeida, da Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), sublinha que será inevitável o aumento das tarifas.
«Isso é inevitável, vão ter que aumentar. Até porque os transportes públicos já aumentaram 10 por cento por causa dos combustíveis quando os taxis só aumentaram três por cento», avisou.
Nas empresas de transportes de mercadorias, segundo Abel Marques, da Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), a situação começa a ser insustentável.
«Isto é claramente uma grande machadada sem consequências ainda bem estudadas no que toca à sustentação do que é essencial para a economia nacional», criticou.
Também o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa. Francisco Vanzeller diz que este aumento vai afectar não só os patrões como todos os trabalhadores.
«Na indústria isto vai implicar o aumento das matérias primas que chegam por transportes e ainda a distribuição dos produtos», avisa acrescentando que isso «vai afectar os salários dos funcionários».
Cabaço Martins, da Associação Nacional de Transportes Pesados de Passageiros (ANTROP), afirma que a questão é preocupante, mas assegura que depois do aumentos dos bilhetes dos transportes públicos, em Janeiro, não deverá ser aplicado um novo aumento nos próximos meses.
O aumento de três cêntimos aplicado desde ontem à noite nas gasolinas e no gasóleo é o maior aumento dos últimos cinco anos.