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Responsáveis da Indústria e Turismo com dúvidas

Os responsáveis pela Indústria e Turismo portugueses têm dúvidas sobre o novo aeroporto. Francisco Vanzeller diz que os 56 mil novos empregos na Ota não resolvem nada, ao passo que Atílio Forte lamenta que os agentes económicos não tenham sido ouvidos.

 

 

O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa continua com dúvidas sobre a viabilidade do aeroporto da Ota, apesar das garantias do Governo de que quase não é necessário recorrer a fundos públicos para o construir.

Em declarações à TSF, Francisco Vanzeller recordou ainda que a criação de 56 mil empregos na Ota não resolve o problema de mais de 450 mil desempregados no país.

«Além disso, grande parte desses empregos são de imigrantes, portanto o dinheiro vai-se», acrescentou o responsável máximo da CIP, que entende que a reprodutibilidade deste investimento só teria resultados se a área em causa fosse muito grande.

«A maior do investimento vai para fora porque se trata de uma tecnologia muito complexa e a mão-de-obra, se for como no Alqueva, vai ser à base de imigrantes», sublinhou.

Francisco Vanzeller lembrou ainda a questão das acessibilidades, ao recordar que para se chegar a Lisboa por estrada é preciso passar por um canal entre o Tejo e a montanha.

«E é preciso apanhar dois comboios, um primeiro de acesso à linha e outro para o Oriente e depois um carro para se chegar ao destino. Por muito que se faça se se tiver que esperar 10 minutos para cada transporte para dar só aí 40 minutos», concluiu.

Também o presidente da Confederação do Turismo está pouco crente relativamente à construção do novo aeroporto, lamentando que os agentes económicos, como companhias aéreas, hoteleiros, agentes de viagens e empresas de aluguer de automóveis não tenham sido ouvidos.

«Portugal não tem nem nunca teve uma verdadeira política de transporte aéreo e um aeroporto é um instrumento dessa política. Obviamente têm de se ouvir as partes interessadas e tem de se ver se há mercado», acrescentou Atílio Forte.

Este responsável disse ainda desconhecer que tenham sido feitos estudos sobre os impactos económicos e turísticos da implantação do novo aeroporto na Ota.

Atílio Forte lembrou a existência de outras localizações para o aeroporto que poderiam ter sido estudadas com maior profundidade, nomeadamente a do Montijo, por causa da proximidade e acessibilidades já construídas.

«Esta hipótese nunca foi posta em cima da mesa, nunca houve nenhum governo que tivesse mostrado disponibilidade ou abertura para estudar outra solução», disse.

O presidente da Associação Empresarial de Portugal também não ficou satisfeito com a escolha da Ota, considerando que esta escolha é política.

«Preocupa-me bastante não se apostar em deixar o aeroporto do Porto ser também um grande aeroporto quando o norte do país tem um aeroporto com muita qualidade e em condições de dar um grande suporte à aeronautica de Portugal», explicou Ludgero Marques.

Para o presidente da AEP, o «aeroporto da Ota vem prejudicar e de que maneira o desenvolvimento num país pequeno numa região a norte da própria Ota», continuou.



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