As diferentes confederações representantes do patronato divergem na análise que fazem do aumento de 3 por cento do Salário Mínimo anunciado pelo Governo. Enquanto CIP e Confederação do Turismo são contra o valor, as Confederações da Agricultura e Comércio aplaudem a proposta do Executivo.
Os patrões reagem de forma diferente ao aumento do Salário Mínimo Nacional avançado pelo Governo.
A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) manifesta-se contra o aumento de 3 por cento lançando o aviso de que algumas empresas vão ser obrigadas a fechar portas.
Francisco Vanzeller, presidente da CIP, considera que «o valor total do aumento não é muito grande para resolver o problema da pobreza em Portugal e, para as empresas, poderá ser importante e algumas delas poderão fechar».
O presidente da CIP avança que «esta foi uma decisão administrativa que mal foi discutida e não levou em conta» o que foi dito pelos patrões.
Esta opinião é partilhada pela Confederação do Turismo que considera que há muitas empresas que não podem suportar este aumento do Salário Mínimo.
«As perspectivas para o ano em curso são de diminuição ao nível da receita e este cenário de crescimento de 3 por cento preocupa-nos porque pode ser tomado como um índice de referencia do ponto de vista das negociações e, não é que as empresas não queiram pagar, simplesmente não podem pagar», avançou Atílio Forte.
Opinião diferente tem a Confederação da Agricultura que considera «correcto» o aumento avançado pelo Governo.
Para João Machado este aumento significa «o retomar de algum poder de compra e não tem um grande impacto muito grande na economia do pais» pelo reduzido número de trabalhadores que recebem o ordenado.
Também a Confederação do Comércio partilha da opinião da congénere para a Agricultura.
À saída da reunião com os parceiros sociais, José António Silva, felicitou a proposta apresentada pelo primeiro-ministro por entender que «o impacto na economia portuguesa é mínimo, mas traz algum estímulo numa altura em que a sociedade portuguesa está bastante fragilizada sob o ponto de vista da auto-estima e da confiança».
Com o aumento hoje anunciado, o salário mínimo passa dos actuais 374,70 euros mensais para 385,90 euros no próximo ano, ou seja, mais 11,20 euros.