O ministro das Finanças não revela qual o aumento que os salários da Função Pública vão sofrer no próximo ano, mas Teixeira dos Santos avisa que a margem para a subida é apertada.
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, esclarece apenas que a margem para os aumentos dos salários da Função Pública será estreita.
«Não vou dar um número, aliás está sujeito a um processo negocial com os representantes dos trabalhadores da Função Pública, mas já dei sinais muito claros de que a margem de manobra é estreita. Não é por isso de esperar aumentos salariais significativos», acrescentou.
Quanto ao compromisso do aumento de dois por cento previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento, Teixeira dos Santos diz que este valor é meramente indicativo e não real.
Teixeira dos Santos garantiu ainda que «não haverá despedimentos na Função Pública», apenas «o recurso ao quadro de supra-numerários, que vão ganhar inicialmente nos primeiros três meses o que ganham inicialmente e ao fim deste tempo há a redução de um sexto do salário».
O ministro não adianta quantos vão ser os supra-numerários e remete esta questão para a auditoria que já começou há um mês e deve ter resultados em Fevereiro.
Em meados do próximo ano, garante Teixeira dos Santos, haverá novidades na reforma da Administração Pública.
As oposições mantêm o cepticismo. Nas contas de Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, vão ser milhares os supra-numerários.
«Terá que colocar pelo menos 30 mil funcionários no quadro de supra-numerários para fazer oscilar a negociação salarial entre os 0,8 para o qual actualmente tem dotação orçamental e o 1,2 ou 1,3 que conseguisse alcançar», afirmou.
A oposição bem tentou, mas o ministro das Finanças não abriu o jogo sobre os aumentos salariais para a Função Pública, no dia em que está a dar explicações no Parlamento sobre o Orçamento de Estado para 2006.