O preço dos transportes públicos vai manter-se inalterado em Janeiro, porque a evolução do preço do gasóleo não justifica um aumento, afirmou esta segunda-feira à agência Lusa fonte oficial do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
O ministro das Obras Públicas e dos Transportes, António Mexia, já tinha dito que em princípio os preços dos transportes públicos vão manter-se inalterados em Janeiro.
Agora um responsável desta área, que pediu o anonimato, vem confirmar que a medida é mesma para se realizar. A aplicação da fórmula de cálculo do ajustamento trimestral resulta «uma actualização das tarifas de 0,9 por cento», o que não justifica um aumento das mesmas, explicou.
É que, segundo o despacho acordado com as transportadoras para a indexação das tarifas aos combustíveis, em Setembro, «não seriam efectivadas actualizações trimestrais inferiores a 1 por cento», adiantou.
«Os custos administrativos (impressão/ emissão de títulos de transporte, publicitação em jornais de grande circulação, elaboração/fixação de tabelas de preços) associados à realização de um aumento desta natureza não compensam a sua efectivação», sublinhou.
Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado dos Transportes, Jorge Borrego, explicou que «o impacto de uma actualização deste género numa transportadores poderia rondar os 8.000 euros, mas os custos de fazer essa actualização rondariam os 5.000 euros», pelo que, a diferença não compensa.
Apesar de não dar lugar a um aumento em Janeiro, os 0,9 por cento acumulam para o trimestre seguinte e serão tidos em conta na actualização que resultar em Abril.
Para o secretário de Estado, «assegura-se assim que não há perdas acumuladas para os transportadores, nem prejuízos acumulados para os clientes».
Quanto ao aumento máximo para os títulos de transportes públicos, este foi estipulado em 5 por cento.
À Lusa, Jorge Borrego reconheceu que uma actualização desta ordem «seria uma situação limite» e significaria que preço do petróleo teria chegado aos 5 dólares.
A manutenção das tarifas foi discutida com os transportadores na sexta-feira passada, explicou o secretário de Estado.
«As empresas ficaram convencidas da lógica da manutenção, embora desagradadas», resumiu Jorge Borrego.
Os cálculos do Governo para este ajustamento trimestral tiveram em conta as 13 semanas que se seguiram a 16 de Agosto (início da 34ª semana).
O secretário de Estado admitiu que «caso os cálculos tivessem em conta duas ou três semanas antes ou depois desta, o resultado poderiam diferir muito».
O Governo decidiu, em Setembro, fazer repercutir nas tarifas dos transportes públicos o custo dos combustíveis, prevendo uma actualização trimestral nos preços dos bilhetes.
Os transportes públicos aumentaram 2,9 por cento em Outubro, reflectindo a evolução do preço do petróleo até à 33ª semana do ano (terminada a 15 de Agosto).
A indexação das tarifas dos transportes públicos aos combustíveis decorre do cálculo de uma equação que tem em conta a relação entre as receitas dos operadores e o peso das despesas de combustíveis na sua estrutura de custos e a média simples dos preços médios de referência do gasóleo rodoviário.
Determinou-se que para o cálculo da equação, a relação entre as receitas dos operadores e o peso das despesas de combustíveis é 0,22.
Ouvido pela TSF, Alfredo da Silva, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Passageiros, afirmou esperar que as empresas sejam compensadas na altura do aumento anual dos transportes públicos.