A factura das «pontes» e feriados é pesada. Ao todo pode ter um impacto no PIB português de 1 por cento. O alerta é de Luís Bento, presidente da Federação Mundial de Recursos Humanos e consultador do Banco Mundial para a Administração Pública.
«No início deste ano foi revelado um estudo que dizia que as políticas de pontes em Portugal poderiam ter um impacto de um por cento do Produto Interno Bruto, um valor astronómico», alerta Luís Bento, que é também professor na Universidade Católica.
«Numa situação em que a receita não sobe, a despesa cresce e em que vemos o Governo numa acção desesperada para tentar encontrar receitas extraordinárias, parece-me que uma quebra provocada por uma ponte é uma medida anti-económica, que não faz qualquer sentido», acrescentou.
Luís Bento considera que esta «ponte» é uma medida populista que afecta muito mais do que o sector público. O presidente da Federação Mundial de Recursos Humanos explica que os privados acabam por ser instigados a seguir a decisão do Governo, o que significa que mais de metade das empresas privadas estarão hoje de portas fechadas.
«Há um grande impacto nas empresas privadas, na medida em que há sempre uma tendência para que estas aguardem para que o Governo decrete ou não a tolerância de ponto para também a concederem aos seus trabalhadores. O que conhecemos da prática é que cerca de 50 a 60 por cento das empresas privadas, nomeadamente do sector terciário, vão acompanhar a posição do Executivo», acrescentou.
Marcelo de Sousa critica «mau exemplo»
Ontem à noite, no habitual comentário na TVI, o professor Marcelo de Sousa também criticou o Governo por esta medida e adiantou mesmo que à conta de acções como estas o Executivo de Santana Lopes já lhe faz lembrar o pior de António Guterres.
«É um péssimo exemplo, quando o ministro das Finanças vem dizer que é preciso trabalhar mais e mais produtividade, quando o ano lectivo ainda não começou, antes de começar já há tolerância de ponto», afirmou.
«Este Governo está a transformar o engenheiro Guterres num sucesso, repetindo no pior que ele fez e levando-o em colo até Belém», acrescentou.
Quanto à tolerância de ponto nas escolas o Executivo colocou a decisão nas mãos das escolas. A FENPROF aconselhou os conselhos directivos a seguirem a posição do Governo, uma vez que considera que os estabelecimentos de ensino não têm competência para decidir nesta matéria.