Durão Barroso e Cavaco Silva marcaram presença no congresso da AEP, em Santa Maria da Feira. O primeiro-ministro falou de uma nova fase que se inicia para a economia portuguesa, o ex-primeiro-ministro apelou ao optimismo.
O Congresso dos Empresários, que decorre esta terça-feira em Santa Maria da Feira, contou com a presença do primeiro-ministro Durão Barroso e do antigo primeiro-ministro Cavaco Silva.
Na sua intervenção, Cavaco Silva deixou uma mensagem de optimismo aos empresários presentes e manifestou a crença de que a economia portuguesa vai começar a dar sinais de mudança positiva, ainda em 2004.
O ex-primeiro-ministro defendeu que não se pode manter a competitividade às custas dos salários, alertando para o facto de que está «é uma estratégia que está, no longo prazo, condenada ao fracasso».
«Existem sempre outros países, mesmo na União Europeia, onde os custos salariais são mais baixos do que os nossos», frisou.
Cavaco Silva defendeu, também, o «aligeiramento das regras do levantamento do sigilo bancário» e «uma taxa superior de investimento público».
Durão Barroso anuncia nova fase para a economia
Durão Barroso foi ao congresso da AEP anunciar uma nova fase na economia portuguesa que se iniciará, pelo menos simbolicamente, se se confirmar, como espera o primeiro-ministro, o levantamento do processo por défice excessivo pela União europeia.
«Num pais que não está habituado a fixar objectivos e sobretudo a cumprir esses objectivos, é notável termos mantido uma situação tão difícil do ponto de vista económico, interno e externo», avançou o primeiro-ministro.
Durão Barroso aproveitou o momento para enumerar alguns dos feitos do actual Governo, nomeadamente, a manutenção «do défice publico abaixo do limiar dos três por cento assumidos no âmbito do PEC».
«Reduzimos o défice corrigido dos efeitos do ciclo económico em cerca de quatro pontos percentuais entre 2001 e 2003, ultrapassamos a grave crise orçamental de 2001, com recursos a medidas corajosas e coerentes e espero que amanhã mesmo a comissão europeia mande encerrar o processo que arriou contra Portugal».
Para uma nova fase da economia nacional, o chefe do Governo referiu ainda algumas das reformas iniciadas pelo Executivo, em particular a da administração pública.
Do discurso de Durão Barroso ficou ainda a ideia de uma nova atitude do Estado - menos investimento público mas melhor investimento público. A ideia é gastar menos dinheiro do Estado para beneficiar mais as famílias portuguesas.
Já no final da vista, Durão Barroso deu como exemplo de mau investimento os dez estádios do Euro 2004.