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Investimentos na Expo'98 e no Euro2004 são «uma enormidade»

 
O presidente da Agência Portuguesa para o Investimento criticou os investimentos públicos e a subordinação do país às restrições orçamentais impostas pelo Pacto de Estabilidade subscrito pelos países da zona Euro.

 

 

Miguel Cadilhe lamentou o excessivo investimento nos estádios de futebol, devido ao Euro2004, assim como na Expo'98, durante um jantar-conferência organizado pela Liga dos Amigos da Casa-museu João Soares.

O ex-ministro de Cavaco Silva contestou, também, a falta de manutenção das infra-estruturas existentes, que, defendeu, devem ser mais importantes do que o cumprimento do défice orçamental imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento a que estão sujeitos os países que aderiram ao euro.

Miguel Cadilhe deu exemplos de despesas do Estado que devem ser encarados como investimento o esforço de manutenção de infra-estruturas, o que não tem sido uma prioridade em Portugal, avançando com a queda da ponte de Entre-os-Rios e a prevenção dos fogos.

«Por que é que a partir de Abril, os nossos militares, que estão à espera de uma guerra, não fazem vigilância?», questionou, propondo que os desempregados obtivessem nessas acções um apoio suplementar ao subsídio.

O antigo ministro das Finanças apontou outras «enormidades» de investimento que, na sua opinião, constituem erros de planeamento dos Governos, que preferem ignorar os reais níveis de desenvolvimento do país.

«A Expo'98 é uma enormidade» e o mesmo se pode dizer dos «10 estádios do Euro2004» ou a «parte das despesas do Porto 2001, Capital da Cultura», sublinhou, considerando que se tratam de «despesas públicas chamadas de investimento que chocam as famílias portugueses».

Miguel Cadilhe lamentou, assim, que estas verbas não tenham sido investidas na modernização administrativa de sectores como a justiça, saúde ou função pública.

Para o presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, a «filosofia social-democrata» da economia, de inspiração keynesiana, está em risco porque não consegue responder a questões como a relação entre «défice e equilíbrio financeiro das contas públicas» ou a «inflação e política de emprego».

Finanças recusam comentário

Em declarações à agência Lusa, fonte do Ministério das Finanças recusou fazer qualquer comentário às críticas feitas pelo ex- ministro das Finanças.



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