A Cofina, interessada na privatização da Portucel, considera que a venda de 4.89 por cento das acções da papeleira por parte da Sonae é «uma transacção suspeita no que diz respeito à concertação de votos».
Em declarações à Lusa, uma fonte da Cofina disse que a venda das acções por parte da Sonae «é uma operação com o rabo escondido e o gato de fora».
A mesma fonte disse ainda que «não é credível que o Engenheiro Belmiro de Azevedo tenha vendido, da forma como foi realizada e anunciada a operação, a alguém que não vá votar de acordo com as suas posições».
Esta posição da Cofina surge dias antes da Assembleia Geral da Portucel, a 15 de Outubro, e depois da Sonae ter anunciado a venda de quase cinco por cento de um total de trinta por cento das acções que tinha em seu poder.
Alguns analistas relacionam esta venda com o facto de os estatutos da Portucel limitarem o exercício dos direitos de voto de um accionista a 25 por cento. Ou seja, segundo a especulação que foi feita, a Sonae votará com 25 por cento, podendo haver uma concertação com os compradores dos outros cinco por cento.
A confirmar-se esta especulação, com esta «concertação» haverá uma forte possibilidade de ser impedida a decisão que vai ser tomada na Assembleia Geral da Portucel da entrada de um novo accionista, a Cofina/Lecta, resultante do concurso de privatização.
Para garantir a entrada da Cofina/Lecta no capital da Portucel a decisão tem de ser aprovada por dois terços dos votos.