O candidato da extrema-direita para as eleições presidenciais francesas, marcadas para domingo,Jean-Marie Le Pen, conta com o apoio de muitos portugueses residentes em França e ocupa já o quarto lugar nas sondagens.
Jean-Marie Le Pen, o candidato da extrema-direita para as eleições presidenciais francesas, marcadas para domingo, conta com um apoio significativo da comunidade portuguesa em França.
A três dias do fim da campanha para a primeira volta das eleições presidenciais, Nicolas Sarkozy (UMP, direita) lidera as sondagens, logo seguido pela socialista Ségolène Royal e pelo centrista François Bayrou.
Depois de ter conseguido passar à segunda volta nas presidenciais de 2002, contra as previsões gerais, Le Pen surge agora nas sondagens na quarta posição, com 15 por cento dos votos, mas os franceses esperam outra surpresa.
Apesar de o apoio dos emigrantes portugueses a Jean-Marie Le Pen ser impossível de avaliar, tudo indica que o presidente da Frente Nacional, pode contar com os votos de muitos portugueses.
Na opinião de João Heitor, proprietário de uma livraria portuguesa em Paris, Le Pen colhe o apoio sobretudo dos «emigrantes da primeira geração, entre os 45 e 60 anos», que foram para França com «um projecto de trabalho e para ganhar dinheiro».
«Os portugueses, sobretudo dessa geração, têm a tendência de ver tudo pela perspectiva do trabalho e vêm numa franja da sociedade», constituída por exemplo por «africanos», «uma espécie de aproveitadores» e «mandriões», explicou à TSF João Heitor.
Por seu lado, Pascal Lima, um luso-descendente que trabalha na campanha de Ségolène Royal, considera que este apoio dos emigrantes portugueses ao candidato da Frente Nacional resulta do contacto que Le Pen tem mantido com os meios de comunicação social portugueses.
«Acho que às vezes a comunidade portuguesa de França não se sente bem com a situação de desemprego e de violência», revelou Pascoal Lima, acrescentando que ficou «muito surpreendido» com o envolvimento de alguns portugueses «nos incêndios de carros em Janeiro de 2006» em França.
Para tentar «resolver esse problema de Le Pen», era importante «avaliar» de modo «mais claro o que se passa nessa comunidade», porque existem alguns elementos que não se sentem integrados, defendeu Pascoal Lima.