Poucas horas após o «não» francês à Constituição Europeia, Tony Blair diz que ainda é cedo para saber se haverá referendo no Reino Unido. José Luis Zapatero diz que o processo de ratificação tem de continuar apesar do «não» francês.
O primeiro-ministro britânico considerou que a Europa precisará de reflectir após o «não» francês à Constituição Europeia, uma das razões que fazem com que ainda não seja tempo de falar sobre a forma como o Reino Unido vai ratificar este tratado.
De visita a Itália, Tony Blair lembrou que há que ter em conta ainda o referendo na Holanda, na quarta-feira, bem como o Conselho Europeu em meados de Junho.
«Penso que mais importante que tudo há uma questão mais profunda que é o futuro da Europa e em particular o futuro da economia europeia e de como ela vai lidar com as pressões da globalização e das mudanças tecnológicas», acrescentou.
Blair, que espera que os holandeses aprovem a Constituição Europeia, disse ainda que só haverá uma votação no Reino Unido caso haja um «tratado constitucional no qual se vá votar».
Por seu lado, o primeiro-ministro espanhol insistiu que o processo de ratificação deve continuar, apesar do resultado negativo no referendo francês de domingo.
«Temos de renovar os nossos esforços para explicar que esta Constituição consagra os direitos e liberdades dos europeus, tal como o nosso modelo social», acrescentou José Luis Zapatero.
O chefe do executivo espanhol recordou ainda que a construção europeia é um «grande projecto que acabará por se sobrepor aos obstáculos porque a Europa não é um problema, é a solução».
Já Giulano Amato propôs a «adopção, numa mini-conferência governamental, de algumas passagens da Constituição não ratificada com vista a fazer funcionar a Europa».
Numa entrevista ao «Corriere della Sera», o antigo vice-presidente da comissão encarregada de redigir a Constituição entende que é possível instituir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e o serviço diplomático europeu, bem como a adopção da dupla maioria qualificada no lugar da ponderação de votos.
«Considero a minha constituição como uma filha morta antes de nascer, mas gostaria de transplantar alguns dos seus órgãos para o Tratado de Nice», acrescentou.