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Supremo Tribunal desmente "carta verde" a Kumba Ialá

 
O Supremo Tribunal da Guiné-Bissau desmente ter autorizado Kumba Ialá a reassumir a presidência. Esta segunda-feira, um gabinete de crise reuniu e depois do encontro as chefias militares garantiram que estão «nas casernas e respeitam o poder político».

O Supremo Tribunal da Guiné-Bissau garante que não deu carta verde a Kumba Ialá para reassumir a presidência. No domingo, o antigo chefe de Estado usou uma decisão dos juizes para se auto-proclamar Presidente da República.

Agora o vice-presidente do tribunal desmentiu esta versão e diz que o supremo apenas se pronunciou sobre a candidatura de Kumba Ialá ao cargo.

Paulo Sanhá deixou este esclarecimento, em conferência de imprensa, acrescentando que o tribunal deliberou somente sobre a carta de renúncia que Ialá assinou na altura do golpe de Estado em 2003.

Em relação à carta, os juizes concluíram que não era impeditiva de uma candidatura à presidência da Guiné-Bissau, mas Kumba Ialá anunciou que ia reassumir as funções de chefe de Estado para completar os 18 meses que faltam do mandato sem, no entanto, referir como o vai fazer.

O vice-presidente do tribunal adiantou que as várias análises jurídicas sobre este acórdão «assentam em manifesta má fé dos autores».

Paulo Sanhá diz que cabe agora a quem liderou o golpe de Estado vir a público dizer se Ialá pode voltar à presidência e lembra que o supremo não trabalha com armas, mas com as leis da República e que não se pronuncia sobre questões políticas.

Militares nas casernas

Esta segunda-feira, de manhã, o presidente interino, Henrique Rosa, reuniu um gabinete de crise com as principais chefias militares e o ministro da Defesa.

No final, o ministro Martinho Cadi garantiu à France Presse que a declaração de Kumba Ialá não preocupa em demasia o governo que, no entanto, se mantém atento à situação.

O presidente do Comité Militar afirmou, depois daquele encontro, que é necessário desdramatizar a questão levantada com a auto-proclamação de Kumba Ialá e deu uma garantia.

«Não há que ficar preocupado. Os militares estão nas casernas e respeitam o poder político», afirmou Na Fafé, sem prestar mais esclarecimentos.

Portugal acompanha também com atenção os desenvolvimentos políticos na Guiné-Bissau. José Sócrates já disse que espera que a ordem constitucional seja respeitada.

O ex-chefe de Estado guineense, Kumba Ialá, auto-proclamou-se domingo Presidente da República, afirmando que vai cumprir até ao fim o mandato de cinco anos, interrompido ao fim de três anos e meio, quando ocorreu em 2003 um golpe de Estado.



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