Uma manifestação que protesta contra a passagem a facultativa da disciplina de Religião e Moral em Timor está a juntar cerca de dois mil católicos junto ao Palácio do Governo de Díli. O primeiro-ministro já disse que a manifestação não está a ajudar à resolução da situação.
O bispo de Díli considerou que a manifestação que está a decorrer em Timor-Leste e que juntou centenas de católicos junto às portas do palácio do governo é um «protesto em massa contra o regime anti-democrático imposto pelo governo».
A «Manifestação Pacífica» levada a cabo por centenas de católicos locais pretende tomar posição contra o governo, especialmente na questão do plano experimental pedagógico, que coloca a disciplina de Religião e Moral como facultativa.
D. Alberto Ricardo criticou em especial o facto de Mari Alkatiri ter ordenado a detenção de «paroquianos católicos e seus párocos e irmãs religiosas de três distritos» à entrada da capital timorense.
«A ordem do primeiro-ministro para deter os manifestantes é um ataque aos direitos humanos e viola a Constituição. Uma ditadura está a começar em Timor-Leste», frisou.
Contudo, a agência Lusa afirma que, de facto, não se verificou nenhuma detenção no que diz respeito às cerca de duas centenas de manifestantes que tentaram entrar em Díli, mas sim a sua retenção em Tibar, a 10 quilómetros a oeste da capital.
Entretanto, esses manifestantes foram autorizados a entrar em Díli, tendo-se concentrado na igreja de Motael.
A agência Lusa indica também que a manifestação, que junta também representantes da igreja protestante timorense, tem vindo a engrossar com a chegada de camiões vindos do interior do país, o que já provocou a concentração de mais de duas mil pessoas junto ao Palácio do Governo.
«Os responsáveis deste povo têm que ter consciência, têm que saber que este povo está aqui a sofrer. Vamos estar aqui talvez por alguns dias. Se eles dizem que servem o povo, então venham junto do povo para falar. Esta manifestação vai continuar até obtermos alguma resposta», afirmou o porta-voz do Episcopado timorense, Domingos Soares.
O primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri já disse que a manifestação «não ajuda em nada a criação de condições para o diálogo» com a Igreja e esclareceu que a actuação da polícia «ocorreu de acordo com os procedimentos usuais nestas circunstâncias».
Por seu lado, o porta-voz do presidente Xanana Gusmão indicou que a «resolução do que está em questão cabe ao governo», tendo Agio Pereira indicado que o antigo líder da resistência «está a acompanhar a situação, mas que não se vai pronunciar».