O Estado da Florida voltou, esta terça-feira, a dominar as atenções dos norte-americanos devido à denúncia de novas irregularidades eleitorais.
Em West Palm Beach, eleitores dos bairros negros, que tradicionalmente votam no Partido Democrata, queixaram-se de ter recebido telefonemas que os encaminhavam para assembleias de voto inexistentes, ou mesmo a dizer-lhes que não estavam inscritos nas listas eleitorais.
«As nossas linhas telefónicas estão cheias de denúncias» de eleitores, disse a principal responsável eleitoral do condado de Palm Beach, Theresa LePore.
Na semana passada milhares de eleitores norte-americanos que pediram para votar por correspondência afirmaram não ter recebido o material eleitoral necessário.
As autoridades do condado reconheceram que 58 mil boletins de voto dos 127.320 enviados há um mês não chegaram aos destinatários.
Para reduzir os riscos de irregularidades, milhares de observadores e advogados foram colocados na Florida pelos Partidos Democrata e Republicano, por organizações dos direitos cívicos, mas também pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que enviou observadores internacionais.
A presença de observadores não impediu, no entanto, as acusações de fraude, nomeadamente em Riviera Beach, uma periferia pobre de maioria negra a norte de Palm Beach, onde durante as eleições de 2000, 16 por cento dos boletins de voto foram invalidados.
Há quatro anos, a contestação relativamente a milhares de boletins de votos levou a várias recontagens e ao adiamento em mais de um mês do anúncio da vitória de George W. Bush nas eleições presidenciais frente ao candidato democrata Al Gore.