O Partido Popular espanhol (PP, direita) afirmou, esta quarta-feira, ser favorável à criação de uma união civil que conceda aos homossexuais os mesmos direitos que a um casal heterossexual casado, à excepção do direito de adopção.
O governo socialista de Jose Luis Rodriguez Zapatero deverá votar sexta-feira, em Conselho de Ministros, um projecto de lei que legaliza o casamento homossexual, conferindo-lhe exactamente os mesmos direitos que aos casais heterossexuais. Este projecto deverá entrar em vigor em 2005.
O facto de duas pessoas, «independentemente da orientação sexual» viverem juntas «cria um conjunto de relações, de direitos e deveres pessoais e patrimoniais que não podem, no actual estado da sociedade, ser ignorados», segundo o porta-voz do PP, Eduardo Zaplana.
A Espanha vai ser o primeiro país do sul da Europa a legalizar o casamento homossexual, um novo ponto de discórdia entre a influente igreja católica e o governo socialista de Zapatero.
A igreja reagiu já vivamente, afirmando que esta decisão significa «impor à sociedade um vírus, qualquer coisa falsa, que terá consequências negativas sobre a vida social», afirmou na televisão espanhola o porta-voz da conferência episcopal espanhola Juan António Martinez Camino.
De acordo com uma sondagem realizada em Julho, dois terços (66 por cento) dos espanhóis são favoráveis aos casamentos homossexuais.