Os eurodeputados socialistas estão interessados em saber se o presidente indigitado da Comissão Europeia, Durão Barroso, vai seguir as mesmas políticas do que em Portugal. O português António Costa salientou a «mudança» do colega, que procurou ser «um homem novo» em Bruxelas.
Vários eurodeputados socialistas referiram as políticas económicas e o aumento do desemprego em Portugal como motivos de preocupação, bem como a redução das despesas do Estado em áreas essenciais como a educação e a ciência.
Durão Barroso explicou a necessidade de cumprir o défice e afirmou que as questões sociais são uma prioridade. O novo indigitado da Comissão Europeia considerou também possível ter rigor nas contas públicas e políticas voluntaristas de criação de emprego.
Do ponto de vista da política internacional, os socialistas demostraram também reservas em relação à posição de Durão Barroso como primeiro-ministro quanto a guerra no Iraque, nomeadamente em relação ao seu papel na Cimeira das Lages.
Sobre a posição de Portugal de apoio aos Estados Unidos, Durão Barroso referiu que a postura que o país teve foi «mais moderada» do que apareceu expressa nos órgão de comunicação internacionais.
O líder dos eurodeputados portugueses do PS no Parlamento Europeu, António Costa, considerou que Barroso deu «alguns sinais» de mudança no tema Iraque e também quanto ao Pacto de Estabilidade e Segurança.
«Havia uma visão extremamente negativa da política económica, social e ambiental dos anos em que foi primeiro-ministro. Hoje procurou ser um homem novo não só no nome, mas também no seu discurso, que espero que não seja apenas para agradar aos socialistas, mas que seja incluído no seu programa», disse António Costa.
PSE em expectativa
O líder do grupo do Partido dos Socialistas Europeus (PSE), Martin Schultz, elogiou, no final da audição pública que os socialistas tiveram com Durão Barroso, a capacidade de comunicação do presidente indigitado da Comissão Europeia, mas reconhece que não ficou totalmente satisfeito.
«Durão Barroso é alguém que sabe apresentar o próprio programa. Por isso também foi primeiro-ministro, alguém que ganha eleições a esse nível, sabe muito bem o que fazer. Agora quanto ao conteúdo ainda existem alguns questões em aberto», afirmou.
Martin Schultz espera ainda pela apresentação do projecto de Durão Barroso para a Europa na próxima semana em Estrasburgo e afirma estar esperançado de que «introduza» algumas preocupações dos socialistas no seu discurso.
O PSE reserva para esta altura uma decisão sobre o sentido de voto que o partido vai dar aos seus membros.
Durão Barroso garantiu ainda que irá defender, se for eleito, uma política externa «unificada» para a União Europeia.
O presidente indigitado da Comissão Europeia apelou ao apoio aos eurodeputados do PSE para a construção de uma Europa «forte e independente», prometendo estreita colaboração com todas as sensibilidades políticas.